A Controladoria Geral da União identificou pagamentos indevidos do Auxílio Brasil em um valor total de quase R$ 4 bilhões
A Controladoria-Geral da União (CGU) identificou pagamentos indevidos no programa Auxílio Brasil que somam aproximadamente R$ 4 bilhões. O montante foi revelado após auditoria realizada pelo órgão de controle federal, que cruzou dados de beneficiários com informações de outras bases governamentais para verificar a regularidade dos pagamentos.
A auditoria analisou beneficiários do programa entre 2021 e 2022, período em que o Auxílio Brasil substituiu o Bolsa Família como principal programa de transferência de renda do governo federal. As irregularidades encontradas incluem benefícios pagos a pessoas já falecidas, cadastros desatualizados no Cadastro Único (CadÚnico), renda familiar incompatível com os critérios de elegibilidade e indícios de fraudes documentais.
Segundo o levantamento, parte significativa dos pagamentos indevidos ocorreu devido à falta de atualização periódica dos cadastros. Muitos beneficiários que já haviam superado a situação de pobreza ou miséria continuaram recebendo o auxílio por meses, gerando prejuízo aos cofres públicos. A CGU destacou que a integração insuficiente entre as bases de dados federais contribuiu para que essas inconsistências não fossem detectadas em tempo hábil.
A CGU recomendou ao governo federal o aperfeiçoamento dos mecanismos de controle e a implementação de medidas para recuperar os valores pagos indevidamente. Entre as sugestões estão o fortalecimento do pente-fino nos cadastros do CadÚnico e a integração mais eficiente entre as bases de dados da Receita Federal, INSS e sistemas estaduais.
Em resposta, o governo anunciou a adoção de novas ferramentas de verificação e cruzamento de dados para evitar que novos pagamentos irregulares ocorram. Os beneficiários com indícios de irregularidades serão notificados para apresentar defesa ou regularizar sua situação no programa. Caso não comprovem o direito ao benefício, poderão ser inscritos em dívida ativa para devolução dos valores recebidos indevidamente.
O caso reforça a importância da fiscalização contínua dos programas sociais e do uso de tecnologia para garantir que os recursos públicos sejam direcionados a quem realmente se enquadra nos critérios estabelecidos em lei. A CGU segue monitorando os pagamentos e realizando auditorias periódicas para assegurar a correta aplicação dos recursos do Auxílio Brasil e demais programas sociais federais.