ABR explica como funcionará a vacinação de crianças contra covid-19
A vacinação infantil contra a Covid-19 representa um dos capítulos mais importantes no enfrentamento da pandemia no Brasil. Com a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o uso de imunizantes em crianças e adolescentes, estados e municípios se organizaram para executar um plano de vacinação seguro, escalonado e acessível. Neste artigo, explicamos em detalhes como funcionará todo o processo, desde a logística de distribuição das doses até os documentos necessários para levar seu filho para se vacinar.
Logística e público-alvo da campanha
A estratégia nacional de imunização infantil seguiu a mesma lógica de priorização adotada para os adultos, levando em conta os grupos de maior risco. Crianças com comorbidades (como doenças cardíacas, respiratórias crônicas, diabetes e obesidade), deficiências permanentes, indígenas e quilombolas foram as primeiras a receber a vacina. Em seguida, a campanha avançou por faixa etária decrescente, começando pelas crianças mais velhas, de 11 anos, até chegar aos bebês a partir de 6 meses de idade.
A operação logística envolve a distribuição das vacinas pelo Ministério da Saúde aos estados, que as repassam aos municípios. As prefeituras são responsáveis pela aplicação, que ocorre nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), postos de saúde, escolas e, em algumas localidades, em sistemas de drive-thru e mutirões de vacinação aos finais de semana (o chamado "Dia D").
Um ponto fundamental é a necessidade de presença dos pais ou responsáveis no momento da vacinação. É obrigatória a apresentação de um documento de identificação da criança, do cartão do SUS e da caderneta de vacinação. Na ausência do responsável, é exigido um termo de autorização assinado com firma reconhecida, embora alguns municípios aceitem o termo simples.
Vacinas aprovadas e esquema vacinal
A Anvisa aprovou duas vacinas para o público infantil no Brasil. A vacina da Pfizer/BioNTech (Comirnaty) é a principal delas, com formulações específicas para cada faixa etária:
- Crianças de 6 meses a 4 anos: dose com tampa vinho (ou laranja escuro), com concentração adaptada para bebês e crianças pequenas. O esquema é de três doses.
- Crianças de 5 a 11 anos: dose pediátrica com tampa laranja. O esquema é de duas doses com intervalo de 8 semanas entre elas.
- Adolescentes a partir de 12 anos: dose padrão do imunizante (tampa roxa), mesma utilizada nos adultos, com esquema de duas doses.
A CoronaVac (Sinovac/Butantan) também foi autorizada para crianças a partir de 6 anos de idade, com esquema de duas doses e intervalo de 28 dias. Ambas as vacinas demonstraram excelente perfil de segurança e eficácia na prevenção de formas graves da doença, internações e óbitos, mesmo diante do surgimento de novas variantes, como a Ômicron.
Documentação necessária para a vacinação
Para garantir que a imunização ocorra sem contratempos, é importante que os pais ou responsáveis levem os seguintes documentos:
- Documento de identificação da criança: RG (Registro Geral) ou Certidão de Nascimento (original e cópia).
- CPF da criança (se houver).
- Cartão Nacional do SUS (CNS) ou o número do cartão.
- Caderneta de Vacinação da criança (para atualização do calendário vacinal).
- Comprovante de residência (em nome dos pais ou responsável).
- Termo de Assentimento/Consentimento assinado pelo responsável legal (fornecido no local ou levado impresso, conforme orientação da prefeitura).
O agendamento pode ser feito através de aplicativos oficiais das prefeituras, sites da secretaria de saúde ou diretamente na unidade de saúde mais próxima, dependendo da estratégia adotada por cada município.
Perguntas frequentes sobre a vacinação infantil
1. Crianças que já tiveram Covid-19 devem se vacinar?
Sim, a vacinação é recomendada mesmo para crianças que já foram infectadas. A orientação médica é aguardar um intervalo de 30 dias após o início dos sintomas ou a data do teste positivo para receber a dose.
2. A vacina contra a Covid-19 pode ser administrada junto com outras vacinas do calendário infantil?
Sim. O Ministério da Saúde e a Anvisa autorizam a administração simultânea da vacina contra a Covid-19 com qualquer outra vacina do Calendário Nacional de Vacinação. Não é necessário respeitar nenhum intervalo específico entre elas.
3. Quais são os efeitos colaterais mais comuns?
As reações adversas são geralmente leves e passageiras, semelhantes às observadas em adultos. As mais comuns incluem dor no local da injeção, vermelhidão, inchaço, febre baixa, cansaço, dor de cabeça e dores musculares. Reações graves, como miocardite, são extremamente raras e os benefícios da vacinação superam amplamente os riscos.
4. Crianças imunossuprimidas ou com alergias podem se vacinar?
Crianças com imunossupressão (em tratamento oncológico, transplantadas, com doenças autoimunes) podem e devem se vacinar, pois fazem parte do grupo de maior risco para formas graves da doença. O esquema vacinal pode incluir uma dose adicional (terceira dose) nesses casos. Já crianças com histórico de alergia grave (anafilaxia) a algum componente da vacina devem ser avaliadas por um especialista antes da imunização e vacinadas em locais com suporte médico imediato.
5. O que fazer se a criança perder o prazo da segunda dose?
Não é necessário recomeçar o esquema vacinal. Basta procurar a unidade de saúde mais próxima e tomar a segunda dose o mais rápido possível, independentemente do tempo que passou desde a primeira dose. O importante é completar o ciclo de imunização.
A vacinação infantil é a ferramenta mais eficaz para proteger as crianças e toda a comunidade. Manter o calendário vacinal em dia é um ato de amor, responsabilidade e cidadania.