A pandemia de COVID-19 impôs desafios inéditos aos gestores públicos em todo o mundo. Em Salvador, o então prefeito ACM Neto anunciou uma série de medidas restritivas ao longo de 2020 e 2021. Entre elas, uma das que mais gerou discussão foi o chamado "lockdown setorizado", uma estratégia que visava conter o avanço do coronavírus sem paralisar totalmente a cidade.
O lockdown setorizado consistiu na divisão da capital baiana em Áreas de Proteção Sanitária (APS). Em dias de restrição máxima, geralmente aos domingos, a circulação de pessoas era permitida apenas para residentes de áreas específicas, em um sistema de rodízio. As demais regiões permaneciam com regras mais rígidas de funcionamento.
A lógica por trás da medida era reduzir a aglomeração e a mobilidade urbana de forma alternada, permitindo que as equipes de fiscalização da prefeitura e as forças de segurança pudessem atuar de maneira mais focada. O cidadão precisava estar atento ao cronograma de setores para saber se poderia ou não sair de casa naquele dia, sob pena de multa.
O principal objetivo anunciado pela gestão municipal era achatar a curva de contágio da COVID-19 e evitar o colapso do sistema de saúde. Salvador, assim como outras capitais, enfrentava alta ocupação de leitos de UTI e um ritmo acelerado de transmissão do vírus. A medida – embora controversa e alvo de debates sobre sua eficácia e impacto econômico – foi uma das ferramentas utilizadas para conter a disseminação do vírus em um dos momentos mais críticos da pandemia na Bahia.
O "lockdown setorizado" de ACM Neto se tornou um marco na história da gestão da pandemia em Salvador. A estratégia inovadora, que combinava restrição com a tentativa de manutenção da atividade econômica, gerou dúvidas e discussões, mas representou um esforço da administração municipal para lidar com a crise sanitária que assolava o país.