Advogados são acusados de extorquir trabalhadores rurais no interior da Bahia

Um grupo de advogados está sendo acusado de extorquir trabalhadores rurais no interior da Bahia, em um esquema que envolve cobrança de honorários abusivos e supostas ameaças judiciais. O caso, que ganhou repercussão na região, está sendo investigado pelo Ministério Público estadual e pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

De acordo com as denúncias, os profissionais se aproveitavam da vulnerabilidade de agricultores familiares para oferecer serviços jurídicos desnecessários ou com valores muito acima do mercado. Em alguns relatos, trabalhadores afirmam ter sido coagidos a pagar por ações judiciais que nunca foram ajuizadas.

A investigação teve início após uma série de queixas formais encaminhadas à OAB e à delegacia local. Durante as apurações, foram identificados indícios de falsificação de procurações e utilização de documentos sem o conhecimento das supostas vítimas. As autoridades também buscam determinar se os advogados mantinham uma rede de intermediários que atuava nas comunidades rurais para aliciar os trabalhadores.

A OAB, em nota, afirmou que repudia veementemente qualquer conduta antiética e que está colaborando com as investigações. “A Ordem não tolera abusos contra cidadãos e atuará com rigor para responsabilizar os envolvidos”, diz o comunicado. A entidade também orientou os trabalhadores rurais a procurarem a defensoria pública em caso de dúvidas sobre serviços jurídicos.

Os acusados, por meio de seus representantes legais, negam as irregularidades e afirmam que as acusações são infundadas. Eles alegam que todos os serviços foram prestados de forma regular e que os valores cobrados estavam dentro dos parâmetros legais. A Justiça ainda não julgou o mérito da ação.

Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que a extorsão praticada por profissionais do direito é um crime grave, que fere a confiança no sistema judiciário. A recomendação é que trabalhadores rurais busquem sempre orientação de fontes confiáveis, como sindicatos e órgãos de defesa do consumidor, antes de contratar serviços advocatícios.

O caso segue em tramitação na comarca local, e novas testemunhas estão sendo ouvidas. A expectativa é que as investigações sejam concluídas nos próximos meses.