Aliados já discutem cenário sem Lula em 2018; Henrique Meirelles é alternativa
Em meio às turbulências jurídicas e políticas que marcaram o primeiro semestre de 2018, uma movimentação nos bastidores chamava a atenção de analistas e militantes: aliados do presidente Michel Temer já começavam a articular um cenário eleitoral sem a presença de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O nome do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, surgia como a principal alternativa para ocupar esse espaço e unir o centro político.
Com uma trajetória consolidada à frente do Banco Central e do Ministério da Fazenda, Meirelles era visto como um nome técnico e de diálogo com o mercado financeiro. Para os partidos do chamado "centrão", ele representava a chance de manter a governabilidade e oferecer uma opção moderada ao eleitorado, em contraponto ao avanço das candidaturas de Jair Bolsonaro (PSL) e Ciro Gomes (PDT).
As articulações, no entanto, esbarravam em um cenário fragmentado. Meirelles disputava o mesmo eleitorado de centro com Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede). Apesar das dificuldades, o MDB, partido do então presidente, decidiu apostar no nome do ministro, que oficializou sua candidatura ao Palácio do Planalto após a desistência de Temer.
A história eleitoral de 2018 mostrou que as discussões sobre Meirelles como alternativa em um cenário sem Lula foram mais do que especulação: elas refletiram a busca desesperada do establishment político por uma âncora em meio à polarização que dominou o pleito. Apesar do pouco tempo de campanha e da alta rejeição, a candidatura de Henrique Meirelles entrou para os livros de história como a tentativa do centro de sobreviver em uma eleição marcada pelo antipetismo e pelo antipolítica.