Após cortes no financiamento, UFBA promove Ato Público em prol de recursos
Visão Geral do Ato Público
A Universidade Federal da Bahia (UFBA) realizou, nos últimos dias, um ato público no campus de Ondina, em Salvador, como resposta aos reiterados cortes no financiamento federal que têm comprometido o funcionamento da instituição. A mobilização, organizada pela reitoria em parceria com diretórios acadêmicos, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) e movimentos sociais, reuniu centenas de participantes – entre estudantes, professores, técnicos administrativos e integrantes da comunidade externa. O objetivo central foi denunciar a crise orçamentária que afeta as universidades federais e pressionar o governo federal por recomposição de recursos que permitam a manutenção das atividades de ensino, pesquisa e extensão.
O evento ocorreu em um contexto de agravamento das dificuldades financeiras das federais. Desde a aprovação da Emenda Constitucional 95, em 2016, que instituiu o teto de gastos públicos, as universidades vêm perdendo poder de compra e capacidade de investimento. A UFBA, uma das maiores e mais tradicionais instituições do Norte-Nordeste, sofreu reduções expressivas em seu orçamento de custeio e capital. Laboratórios desatualizados, bibliotecas com acervo defasado, falta de servidores e dificuldades na manutenção dos campi são alguns dos problemas relatados pela comunidade acadêmica.
Público-Alvo e Participação
O ato foi aberto a toda a comunidade universitária e à sociedade civil. Estudantes de graduação e pós-graduação, docentes de diversos departamentos, servidores técnico-administrativos e representantes de entidades sindicais marcaram presença. Também estiveram presentes lideranças de movimentos sociais ligados à educação, à cultura e aos direitos humanos. A participação expressiva demonstrou a capilaridade da UFBA e a preocupação coletiva com o futuro do ensino superior público na Bahia. Muitos participantes vieram de outros campi da universidade, como os de Vitória da Conquista e Barreiras, reforçando a unidade da instituição em defesa do orçamento.
Conteúdo do Evento
A programação teve início com a concentração em frente à Reitoria, onde foram montados palco e equipamentos de som. Os discursos abordaram temas como a importância da universidade pública para o desenvolvimento regional, os impactos da Emenda Constitucional 95 no orçamento das federais e a necessidade de valorização dos servidores. O reitor da UFBA, em sua fala, destacou o papel histórico da instituição na formação de profissionais e na produção de conhecimento. “A universidade pública é um patrimônio do povo brasileiro. Não podemos aceitar que ela seja desmontada por falta de recursos”, afirmou. Representantes do DCE denunciaram a precarização das condições de permanência estudantil, com redução de bolsas e auxílios, e alertaram para o risco de aumento da evasão. A APUB (Associação dos Professores Universitários da Bahia) e o Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos também se manifestaram, alertando para o risco de desmonte do serviço público e defendendo a recomposição imediata do orçamento.
Além dos pronunciamentos, o ato contou com atrações culturais vibrantes. Grupos de capoeira, samba de roda e afoxé se apresentaram, celebrando a diversidade da cultura baiana. A presença de elementos culturais reforçou a identidade da UFBA como um espaço de resistência e produção artística, além de aproximar a universidade da comunidade local. Os participantes também levaram faixas com frases como “Em defesa da educação pública” e “Chega de cortes”, além de cartazes que destacavam a importância da universidade para o desenvolvimento do estado.
Formato e Programação
O ato foi planejado como uma mobilização presencial de meio período, com caminhada simbólica até o Dique do Tororó, um dos cartões-postais de Salvador. A concentração começou às 9h, seguida de discursos e apresentações culturais. Por volta das 11h, os participantes seguiram em cortejo pelas ruas do entorno, com faixas e cartazes, chamando a atenção da população para a causa. A programação se encerrou por volta das 13h, com um abraço simbólico ao Dique. Durante todo o percurso, houve diálogo com transeuntes e distribuição de materiais informativos sobre a situação orçamentária da UFBA. A organização disponibilizou também um below-assinado online para que pessoas que não puderam comparecer pudessem apoiar a causa.
Perguntas Frequentes
1. Por que ocorreram os cortes nas universidades federais?
Os cortes estão diretamente relacionados à Emenda Constitucional 95, aprovada em 2016, que congelou os gastos públicos primários por vinte anos. Isso fez com que o orçamento das universidades perdesse poder de compra, já que os valores nominais não acompanham a inflação. Além disso, nos últimos anos, houve contingenciamentos adicionais que reduziram ainda mais os recursos disponíveis para custeio e investimento.
2. Quais são as principais reivindicações do ato?
A recomposição do orçamento de custeio e capital, a contratação de mais servidores (docentes e técnicos) e a manutenção dos programas de assistência estudantil são os pontos centrais. A comunidade também pede maior transparência na alocação dos recursos federais e a revogação do teto de gastos, que limita o investimento em políticas públicas essenciais.
3. Como a sociedade pode apoiar a causa?
A campanha “UFBA Viva” está aberta a contribuições. É possível participar de lives, assinar abaixo-assinados digitais e engajar parlamentares. Acompanhar os canais oficiais da UFBA e da Rádio Panorama FM 87,9 também ajuda a manter-se informado sobre próximas mobilizações. A participação em atos públicos e o compartilhamento de informações nas redes sociais são formas importantes de ampliar a pressão por recomposição orçamentária.
4. Haverá novas mobilizações?
Sim, estão previstas reuniões com parlamentares baianos e atos conjuntos com outras instituições de ensino superior do estado, como a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e a Universidade do Estado da Bahia (UNEB). A expectativa é que o movimento ganhe ainda mais adesão e mantenha o tema em evidência até que haja uma resposta concreta do governo federal.
A Rádio Panorama FM 87,9 continuará acompanhando o desdobramento dessa pauta e oferecendo cobertura sobre educação, política e utilidade pública. Confira as categorias relacionadas: