Bancários rejeitam proposta e exigem ganho real
Os bancários de todo o Brasil estão mobilizados na Campanha Salarial 2024/2025. Em assembleias realizadas em diversos estados, a categoria rejeitou a proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). A decisão foi tomada pela necessidade de garantir não apenas a reposição da inflação, mas também um ganho real que valorize o trabalhador. A insatisfação domina a categoria, que considera a oferta atual insuficiente diante dos lucros bilionários registrados pelo setor financeiro nos últimos anos.
Proposta apresentada pela Fenaban é recusada
Após rodadas de negociação, a Fenaban apresentou uma proposta de reajuste salarial que ficou aquém do reivindicado pelos sindicatos. Os índices oferecidos não repõem integralmente as perdas acumuladas pela inflação, medida pelo INPC, e não preveem um aumento real significativo. Além do reajuste, a proposta para a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e para os vales alimentação e refeição também foi considerada insuficiente pelas entidades sindicais.
“A proposta da Fenaban desrespeita a categoria. Os bancos tiveram lucros recordes e oferecer um reajuste que mal cobre a inflação é uma afronta”, afirmou o presidente do Sindicato dos Bancários de uma das principais federações. A rejeição foi praticamente unânime nas assembleias realizadas em todo o Brasil, sinalizando a unidade da categoria em busca de melhores condições.
Principais reivindicações da categoria
A pauta de reivindicações da Campanha Salarial é ampla e busca valorizar o trabalhador bancário em várias frentes. Os principais pontos exigidos são:
- Reajuste Salarial: Reposição integral do INPC, acrescida de aumento real. A categoria entende que a produtividade do setor justifica uma valorização acima da simples correção inflacionária.
- Participação nos Lucros e Resultados (PLR): Pagamento de 10% do lucro líquido dos bancos, com valor mínimo de R$ 8.000,00, sem a aplicação de fatores moderadores que reduzem o montante final.
- Vale-Alimentação e Vale-Refeição: Reajuste para R$ 2.000,00, garantindo maior poder de compra para os trabalhadores.
- Condições de Trabalho: Fim das metas abusivas, combate ao assédio moral e sexual, e contratação de mais funcionários para reduzir a sobrecarga de trabalho nas agências.
- Igualdade Salarial: Garantia de que homens e mulheres recebam a mesma remuneração para funções equivalentes, promovendo justiça no ambiente de trabalho.
Lucros bilionários e pressão sobre os bancos
Um dos principais argumentos utilizados pelos sindicalistas ao longo de toda a campanha tem sido o desempenho financeiro dos grandes bancos que atuam no país. As instituições financeiras acumulam lucros expressivos trimestre após trimestre, e a categoria entende que há espaço para uma proposta mais generosa. A rejeição da oferta atual é vista como uma forma de pressionar a Fenaban a retornar à mesa de negociações com uma contraproposta que atenda às expectativas dos trabalhadores.
“Enquanto os bancos quebram recordes de lucratividade, os funcionários são pressionados por metas cada vez mais altas e sofrem com a defasagem salarial. Não vamos aceitar migalhas”, declarou uma liderança da Contraf-CUT durante os debates da assembleia.
PLR: um ponto central na negociação
A Participação nos Lucros e Resultados (PLR) é um dos itens mais sensíveis e importantes da negociação. Mais do que um simples benefício, a PLR representa o reconhecimento do esforço coletivo dos bancários para que as metas das instituições sejam alcançadas. A proposta de distribuição linear dos lucros, sem a incidência de tetos ou fatores moderadores, é uma bandeira histórica da categoria. A rejeição da proposta da Fenaban nesse quesito foi enfática, com os trabalhadores exigindo regras mais justas e transparentes para o cálculo do benefício.
Greve geral pode ser aprovada nos próximos dias
Com a rejeição da proposta, os sindicatos filiados à Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e demais federações iniciaram os preparativos para um indicativo de greve geral por tempo indeterminado. A decisão final será tomada em novas rodadas de assembleias estaduais, que devem ocorrer ao longo da próxima semana.
Caso a Fenaban não apresente uma nova proposta que seja considerada satisfatória, os bancários devem cruzar os braços, paralisando o atendimento ao público em milhares de agências pelo Brasil. A orientação para os clientes bancários é que busquem utilizar os canais digitais, como aplicativos e internet banking, para realizar suas transações.
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Perguntas frequentes sobre a negociação dos bancários
O que é a Fenaban?
A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) é a entidade sindical que representa os bancos nas negociações coletivas de trabalho com os sindicatos dos bancários. É a principal interlocutora dos trabalhadores nas mesas de negociação da Campanha Salarial.
O que é a data-base da categoria?
A data-base dos bancários é 1º de setembro. É a partir dessa data que o novo Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) deve entrar em vigor, definindo os reajustes salariais e as demais cláusulas sociais para o período de um ano.
Quem representa os bancários nas negociações?
A principal entidade de representação nacional é a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), que coordena as ações das federações estaduais e dos sindicatos locais. Cada estado possui seu sindicato, que é responsável por convocar as assembleias e deliberar sobre as propostas.
A greve dos bancários é legal?
Sim, a greve é um direito constitucional dos trabalhadores brasileiros. Para ser considerada legal, a paralisação deve ser aprovada em assembleia e notificar os empregadores com antecedência. Durante a greve, os serviços essenciais, como compensação de cheques e processamento de boletos, costumam ser mantidos por um número reduzido de funcionários.
Como a greve afeta o cliente bancário?
Em caso de greve, as agências bancárias podem ficar fechadas ou operar com horário reduzido e capacidade limitada. A orientação principal é que os clientes priorizem os canais digitais (aplicativos, internet banking) para transações do dia a dia. Saques e depósitos podem ser realizados em casas lotéricas e correspondentes bancários.