Bolsonaro apoia pressão de aliados para que Regina Duarte deixe o cargo

O presidente Jair Bolsonaro passou a apoiar a pressão de seus aliados políticos para que a secretária de Cultura, Regina Duarte, deixe o comando da pasta. A decisão teria sido tomada após reuniões no Palácio do Planalto nos últimos dias.

Regina Duarte, que assumiu a Secretaria de Cultura em 2020, enfrentava resistência de setores conservadores e da base evangélica do governo. Sua gestão foi marcada por embates internos e críticas por parte de parlamentares aliados, que questionavam sua trajetória e suas pautas para o setor cultural.

A atriz foi convidada pelo presidente para assumir a Secretaria Especial da Cultura em meio a uma reforma administrativa que rebaixou o Ministério da Cultura a uma secretaria. Sua indicação foi vista como uma tentativa de trazer um nome popular para acalmar o setor, mas rapidamente gerou atritos com a ala ideológica do governo, que a via como distante dos valores defendidos pela atual administração.

Os aliados de Bolsonaro argumentavam que a atriz não representava os valores da base e que sua permanência no cargo gerava desgaste político. A pressão aumentou nos últimos dias, culminando com o aval do presidente para a saída. Parlamentares e líderes religiosos que compõem a base de Bolsonaro passaram a articular publicamente a saída de Regina, citando insatisfação com a condução da Lei Rouanet e com a equipe que a cercava. O desgaste tornou-se insustentável quando aliados ameaçaram travar pautas no Congresso Nacional caso a secretária permanecesse.

Inicialmente, Bolsonaro minimizou as críticas e manteve apoio público a Regina. No entanto, diante do isolamento político e da necessidade de manter a coesão da base, o presidente teria cedido e dado sinal verde para a demissão. A saída de Regina Duarte é vista como uma vitória da ala política sobre a ala técnica do governo.

A expectativa agora é que Bolsonaro anuncie um novo nome para a Secretaria de Cultura nos próximos dias, buscando um perfil mais alinhado às demandas de sua base de apoio, encerrando um dos capítulos mais conturbados da gestão da pasta desde o início do governo.