Cocaína que matou 24 pessoas na Argentina tinha anestésico para elefantes e rinocerontes

Em fevereiro de 2022, um lote de cocaína adulterada com carfentanil matou 24 pessoas e deixou dezenas de outras hospitalizadas em bairros da zona oeste da Grande Buenos Aires, como Puente 12, Laferrere e González Catán. A tragédia foi inicialmente associada a uma overdose em massa, mas rapidamente as autoridades descobriram que se tratava de uma adulteração intencional ou contaminação cruzada com um opioide extremamente potente.

O que é o carfentanil?

É um opioide sintético aproximadamente 10.000 vezes mais potente que a morfina e 100 vezes mais potente que o fentanil. Desenvolvido para uso veterinário em animais de grande porte, sua potência extrema faz com que uma quantidade ínfima, do tamanho de um grão de sal, seja suficiente para causar uma overdose fatal em humanos. O carfentanil é um fármaco regulamentado, utilizado principalmente para sedar animais de grande porte em zoológicos e reservas, como elefantes e rinocerontes.

Como a investigação descobriu?

Após as mortes, as autoridades argentinas analisaram amostras da cocaína apreendida e identificaram a presença do carfentanil. A polícia realizou uma operação de varredura para tentar recuperar o lote adulterado, alertando a população sobre os riscos. A investigação apontou que o entorpecente foi vendido como cocaína pura, mas estava misturado com o potente anestésico veterinário. A investigação resultou na prisão de vários suspeitos ligados ao tráfico na região.

Qual o perigo para a saúde?

O carfentanil é tão poderoso que pode ser absorvido pela pele ou inalado acidentalmente. Para usuários de drogas, a mistura representa um risco extremo de parada respiratória e morte súbita. O caso argentino serviu de alerta global sobre a adulteração de drogas com opioides sintéticos, um problema crescente em várias partes do mundo. A potência do carfentanil significa que não existe "uso seguro" quando há suspeita de contaminação.

A adulteração de cocaína com carfentanil na Argentina é um trágico exemplo dos perigos do mercado ilegal de drogas. A descoberta de um anestésico de uso veterinário em uma droga recreativa demonstra o quão letal pode ser a falta de controle e a busca por maior potência por parte dos traficantes. O episódio reforça a necessidade de políticas públicas de redução de danos e o alerta para os terríveis riscos associados ao consumo de substâncias ilícitas.

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