Cunha pede afastamento de Moro de processo da Lava Jato
O ex-deputado federal Eduardo Cunha (PP-RJ) protocolou um pedido de suspeição do então juiz Sergio Moro nos processos da Operação Lava Jato em que figura como réu. A defesa alega que Moro não teria imparcialidade para conduzir o caso, devido a supostas relações próximas com procuradores da força-tarefa e a decisões que teriam favorecido a acusação.
No pedido, os advogados de Cunha argumentaram que Moro atuou como "acusador" ao longo das investigações, extrapolando as funções de juiz. Eles citaram mensagens obtidas em investigações paralelas que indicariam alinhamento entre Moro e o Ministério Público Federal. O juiz, por sua vez, sempre negou as acusações, afirmando que sua conduta foi pautada pela legalidade e pela busca da verdade.
O caso gerou intenso debate no meio jurídico sobre os limites da atuação judicial em operações de grande repercussão. Especialistas se dividiram: enquanto alguns defendiam que a suspeição era cabível, outros apontavam falta de provas concretas.
O Supremo Tribunal Federal (STF) foi chamado a decidir sobre o afastamento. Em 2020, a Corte negou o pedido, entendendo que não havia elementos suficientes para declarar Moro suspeito. A decisão foi tomada pela Segunda Turma do STF, que considerou que as alegações de Cunha não passavam de suposições sem fundamento.
Com a recusa do STF, Moro continuou à frente dos processos da Lava Jato até sua saída do cargo para assumir o Ministério da Justiça no governo de Jair Bolsonaro. Cunha, que já havia sido condenado em outras ações da operação, seguiu recorrendo.
O episódio é mais um capítulo da complexa relação entre acusação, defesa e judiciário na Lava Jato, e reforça a importância do debate sobre imparcialidade no sistema judicial brasileiro.
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