Saúde & Bem Estar

Dengue: sorotipo 3 volta a circular no país e preocupa autoridades

O Brasil registra o retorno do sorotipo 3 da dengue após vários anos. A baixa imunidade da população ao tipo 3 acende o alerta das autoridades de saúde, que temem um novo aumento de casos graves e óbitos pela doença.

O cenário epidemiológico

Dados recentes do Ministério da Saúde indicam que o sorotipo 3 do vírus da dengue (DENV-3) já foi detectado em diversos estados brasileiros. A co circulação com os sorotipos 1 e 2, que já causaram grandes epidemias nos últimos anos, preocupa especialistas. Uma pessoa pode ser infectada por mais de um tipo ao longo da vida, e a segunda infecção geralmente apresenta maior risco de evolução para casos graves.

"Estamos observando um aumento na detecção do DENV-3, um sorotipo que circulou com mais intensidade no Brasil entre 2000 e 2005. Nossa preocupação é que a imunidade da população atual, especialmente das crianças e adolescentes que nasceram depois disso, é muito baixa para este sorotipo", explicou a secretária de Vigilância em Saúde.

Por que o sorotipo 3 é tão preocupante?

A principal razão para a preocupação é a falta de imunidade prévia na população. Quando uma pessoa é infectada pela primeira vez por um sorotipo da dengue (primoinfecção), geralmente desenvolve a forma clássica da doença. No entanto, se ela for infectada novamente por um sorotipo diferente (infecção secundária), o risco de desenvolver a forma grave (dengue hemorrágica) aumenta significativamente.

Como o DENV-3 ficou "adormecido" por muitos anos, uma grande parcela dos brasileiros não possui anticorpos específicos para ele. Isto significa que, se o sorotipo 3 se espalhar amplamente, muitas pessoas poderão ter uma segunda ou terceira infecção por dengue, o que historicamente está associado a um maior número de hospitalizações e óbitos.

Sinais de alerta para a população

É fundamental que a população conheça os sintomas da dengue e, principalmente, os sinais de alarme que indicam a evolução para a forma grave.

  • Sintomas comuns: Febre alta (39°C a 40°C) de início abrupto, dor de cabeça intensa, dor atrás dos olhos, dores musculares e articulares, cansaço extremo e manchas vermelhas pelo corpo.
  • Sinais de alarme (buscar atendimento urgente): Dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos, sangramento de mucosa, letargia, queda abrupta da pressão arterial.

O que o governo está fazendo?

O Ministério da Saúde já emitiu um alerta para as secretarias estaduais e municipais de saúde, orientando a intensificação das ações de vigilância entomológica e o fortalecimento da rede de assistência para o diagnóstico precoce e manejo clínico adequado dos casos.

A vacina contra a dengue (Qdenga) está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças e adolescentes de 6 a 16 anos em municípios selecionados. A recomendação é que os responsáveis levem os jovens para se vacinar. A vacina protege contra os quatro sorotipos do vírus, sendo uma ferramenta crucial para reduzir os casos graves. Além disso, campanhas de conscientização sobre a eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti estão sendo reforçadas.

Prevenção dentro de casa: dicas essenciais

A melhor forma de prevenção é eliminar os criadouros do mosquito. As autoridades de saúde reforçam as seguintes recomendações:

  • Mantenha caixas d'água, tonéis e barris bem tampados.
  • Coloque areia nos vasos de plantas ou lave semanalmente os pratinhos.
  • Guarde garrafas vazias com a boca para baixo.
  • Limpe as calhas regularmente para evitar acúmulo de água.
  • Não acumule pneus velhos em áreas descobertas.
  • Use repelente, especialmente durante o dia, que é o período de maior atividade do Aedes aegypti.
  • Instale telas em janelas e portas, se possível.

Conclusão

O retorno do sorotipo 3 da dengue é um alerta sério para o sistema de saúde e para a população. A combinação de baixa imunidade, co circulação de sorotipos e a chegada do verão (período de maior proliferação do mosquito) cria um cenário de risco elevado. Manter os cuidados preventivos, vacinar-se dentro do público-alvo e procurar atendimento médico aos primeiros sintomas são as medidas mais eficazes para evitar uma nova tragédia sanitária. A Rádio Panorama FM continuará acompanhando o assunto e trazendo informações de utilidade pública para você e sua família.