É urgente que a cloroquina seja abandonada para qualquer fase da Covid-19, diz SBI

A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) divulgou uma recomendação enfática aos profissionais de saúde e gestores públicos: é urgente abandonar o uso de cloroquina e hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19, em qualquer fase da doença.

De acordo com a entidade, as evidências científicas acumuladas desde o início da pandemia são mais do que suficientes para descartar o uso destas substâncias. Grandes estudos multicêntricos e randomizados, como o Recovery Trial (Reino Unido), o Solidarity Trial (Organização Mundial da Saúde) e o estudo COALITION (Brasil), demonstraram de forma consistente que a cloroquina e a hidroxicloroquina não reduzem a mortalidade, nem previnem a progressão para formas graves da doença.

Pelo contrário, os dados apontam para um aumento significativo de efeitos adversos, especialmente cardíacos, como arritmias, que podem ser fatais. A SBI ressalta que, diante da solidez das evidências, não há mais espaço para justificativas científicas, éticas ou clínicas que sustentem a prescrição desses medicamentos para a Covid-19.

A recomendação da SBI se alinha ao posicionamento das principais agências reguladoras e sociedades médicas do mundo, incluindo a FDA (Estados Unidos), a ANVISA (Brasil), a OMS e o NIH. Todas elas já retiraram a indicação da cloroquina para o tratamento da Covid-19 há meses, e algumas chegaram a revogar autorizações de uso emergencial.

No contexto brasileiro, a SBI lamenta que a politização do chamado "tratamento precoce" tenha atrasado a adoção de medidas baseadas em evidências e gerado uma falsa sensação de proteção na população. A entidade enfatiza que a defesa do uso da cloroquina, mesmo diante das evidências contrárias, representou um grave desserviço à saúde pública e contribuiu para a sobrecarga do sistema de saúde.

A SBI defende que os esforços devem ser redobrados na vacinação em massa, no uso adequado de corticoides como a dexametasona para pacientes que necessitam de oxigênio suplementar, na ventilação mecânica segura e nas medidas de suporte intensivo. A entidade ainda reforça a necessidade de uma comunicação clara e transparente com a população, baseada exclusivamente em evidências científicas.

A entidade conclui que o abandono da cloroquina é um passo essencial para que a medicina brasileira possa avançar com tratamentos verdadeiramente eficazes, consolidando a confiança da população nas vacinas e nas orientações das autoridades sanitárias. A ciência evolui, e a SBI se coloca à disposição para continuar avaliando e recomendando as melhores práticas baseadas em evidências.