Equipe da TV Bahia, afiliada da Globo, é agredida por seguranças e apoiadores de Bolsonaro

Em outubro de 2022, uma equipe de jornalismo da TV Bahia – afiliada da Rede Globo no estado – foi vítima de agressão física e verbal durante a cobertura de um evento de campanha do então candidato à reeleição Jair Bolsonaro, em Salvador. O caso rapidamente ganhou repercussão nacional e reacendeu o debate sobre a segurança dos profissionais de imprensa no Brasil.

A equipe, formada por repórter, cinegrafista e auxiliar técnico, tentava registrar as imagens do comício quando foi abordada por seguranças particulares do candidato. Segundo relatos, os seguranças teriam tentado enquadrar os jornalistas em uma área restrita, e, ao perceberem a presença das câmeras, começaram a empurrar e xingar os profissionais. A situação escalou com a chegada de apoiadores, que se uniram às agressões verbais e tentaram apreender os equipamentos.

Testemunhas afirmam que os agressores gritavam palavras de ordem contra a emissora, acusando‑a de “parcialidade” e “fake news”. A equipe precisou se retirar do local escoltada por policiais militares que acompanhavam o evento. Apesar dos danos materiais – um microfone foi danificado e uma câmera sofreu arranhões – nenhum jornalista ficou gravemente ferido, mas todos relataram sentimento de intimidação e medo.

A TV Bahia, uma das emissoras mais tradicionais do estado e referência em jornalismo baiano, possui uma equipe dedicada à cobertura política. Seus profissionais são treinados para atuar em situações de alta tensão, mas a escalada de violência durante a eleição de 2022 surpreendeu até os mais experientes. A emissora emitiu nota de repúdio e informou que prestaria queixa‑crime contra os envolvidos.

Entidades de classe reagiram prontamente. O Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba) classificou o ataque como “grave atentado à liberdade de imprensa” e protocolou representação na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa. A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI) também condenaram o episódio e cobraram investigação rigorosa.

No âmbito institucional, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE‑BA) foi instado a adotar medidas para garantir o livre exercício do jornalismo durante o período eleitoral. O Ministério Público Eleitoral (MPE) abriu procedimento para apurar eventuais crimes eleitorais e de lesão corporal. A Polícia Civil instaurou inquérito na Delegacia de Crimes Contra a Liberdade de Expressão, e a equipe prestou depoimento com apresentação de vídeos amadores que registraram parte da confusão.

Internacionalmente, a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) incluiu o caso em seu monitoramento de ataques à imprensa no Brasil e pediu punição exemplar. O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) também manifestou preocupação, lembrando que o país ocupa posições incômodas no ranking de violência contra comunicadores.

O episódio ocorre em um contexto de acirramento político e de disseminação de discursos hostis à imprensa. Especialistas alertam que a normalização de agressões a jornalistas representa um risco concreto à democracia, pois inibe a cobertura independente e reduz o acesso da população a informações verificadas.

A equipe da TV Bahia segue atuante, mas o caso serviu de alerta para a necessidade de protocolos de segurança mais robustos durante a cobertura de eventos políticos. A expectativa é que os responsáveis sejam identificados e punidos, servindo como precedente para coibir novas violências. Enquanto isso, a sociedade civil e as organizações de defesa da liberdade de imprensa continuam monitorando o desenrolar das investigações.

A liberdade de imprensa é um pilar da democracia. Garantir que jornalistas possam trabalhar sem medo é essencial para o fortalecimento do debate público e para a consolidação do Estado de Direito no Brasil.

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