Especialistas alertam para possibilidade de racionamento de energia em 2015

O ano de 2015 começou com um alerta acendido no setor elétrico brasileiro. Após um período de chuvas muito abaixo da média histórica, especialmente na região Sudeste e Centro-Oeste, os reservatórios das principais hidrelétricas do país atingiram níveis críticos. Especialistas passaram a considerar, então, a possibilidade de um racionamento de energia elétrica, um cenário que não se via desde a grave crise de 2001.

O cenário crítico dos reservatórios

O Sistema Cantareira, vital para o abastecimento de água e geração de energia em São Paulo, já dava sinais de esgotamento, operando em seu volume morto. A situação não era diferente em outras bacias hidrográficas. Consultorias e analistas do setor alertavam que, caso o período úmido não fosse suficiente para recuperar os níveis, o governo federal seria obrigado a adotar medidas mais drásticas, incluindo o racionamento.

Os alertas dos especialistas

Os especialistas apontavam que a combinação do baixo nível dos reservatórios com o aumento da demanda por energia, impulsionado pelo crescimento econômico e pelas altas temperaturas, criava um cenário de risco iminente. A criação da Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidroenergética (CREG) foi uma das primeiras respostas oficiais, autorizando medidas como a redução da tensão e o acionamento máximo de usinas termelétricas, mais caras e poluentes.

Medidas oficiais e o debate sobre o racionamento

Muitos setores pressionavam por um plano formal de racionamento, com cotas de consumo, como forma de evitar um colapso maior. O governo, no entanto, evitava o termo "racionamento", preferindo falar em desafios na gestão do sistema e na necessidade de economia voluntária. O acionamento das bandeiras tarifárias, especialmente o patamar vermelho, foi uma das ferramentas utilizadas para tentar conter o consumo e sinalizar o custo real da energia.

O legado da crise

Embora um apagão oficial generalizado tenha sido evitado naquela escala em 2015, o país experimentou os efeitos da crise hídrica de forma severa, com contas de luz mais caras e o constante risco de desabastecimento em algumas regiões. O episódio serviu como um alerta duradouro sobre a vulnerabilidade de uma matriz energética excessivamente dependente da hidroeletricidade e a importância de investir em fontes alternativas e em eficiência energética.