Evangélicos querem mediação do governo com bancos para construção de igrejas

Lideranças evangélicas de diversas denominações estão pleiteando a mediação do governo federal junto às instituições bancárias para facilitar o acesso a linhas de crédito destinadas à construção e reforma de templos religiosos. A demanda foi apresentada durante reunião com representantes do Ministério da Fazenda e da Secretaria de Relações Institucionais, ocorrida na última semana em Brasília.

Segundo os líderes religiosos, as dificuldades para obter financiamento imobiliário para igrejas têm crescido nos últimos anos, especialmente após o endurecimento das regras de concessão de crédito por parte dos bancos públicos e privados. Eles argumentam que os templos exercem função social relevante, abrigando atividades comunitárias, educacionais e de assistência, o que justificaria condições especiais de financiamento.

Entre as reivindicações apresentadas, destacam-se a redução das taxas de juros para construções religiosas, a ampliação do prazo de pagamento e a criação de uma linha específica dentro do programa Minha Casa Minha Vida — ou equivalente — destinada a entidades sem fins lucrativos. Os evangélicos também solicitaram que as igrejas possam ser enquadradas como entidades beneficiárias de programas habitacionais populares.

O governo, por sua vez, sinalizou disposição para dialogar com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e avaliar a viabilidade de medidas que ampliem o crédito para o setor religioso. A pasta econômica destacou que qualquer alteração precisará ser analisada à luz da política fiscal e da regulamentação do sistema financeiro.

A expectativa dos representantes evangélicos é que uma solução seja construída nos próximos meses, de modo a atender a demanda crescente por novos espaços de culto, especialmente em regiões periféricas dos grandes centros urbanos e em áreas rurais. Eles pretendem levar o assunto também ao Congresso Nacional, buscando apoio parlamentar para propostas que incentivem a construção de templos.

O tema reacende o debate sobre o papel do Estado no financiamento de atividades religiosas. Enquanto setores mais liberais defendem a separação total entre Igreja e Estado, líderes evangélicos sustentam que a medida não configura privilégio, mas sim reconhecimento da contribuição social das igrejas para a comunidade.