Fortes de Salvador disputam título de Patrimônio Mundial
A capital baiana, berço da cultura e história do Brasil, pode ganhar mais um reconhecimento internacional. O conjunto de fortificações militares de Salvador, um dos mais completos sistemas defensivos do período colonial, está oficialmente na disputa pelo título de Patrimônio Mundial da UNESCO.
Construídos entre os séculos XVI e XVIII, os fortes foram erguidos pela Coroa Portuguesa para proteger a cidade contra invasões estrangeiras, principalmente de holandeses e franceses. Ao todo, são mais de 20 fortalezas que margeiam a Baía de Todos-os-Santos, formando um cinturão defensivo de valor arquitetônico e histórico inestimável.
Entre os que mais se destacam no cenário nacional e internacional estão:
- Forte de São Marcelo: Conhecido como a "Fortaleza Circular", é uma das construções mais icônicas. Diferente da maioria, foi construído sobre um banco de recifes, sendo acessível apenas por barco. Sua arquitetura renascentista é considerada rara no continente americano.
- Forte de Santo Antônio da Barra: Abriga o famoso Farol da Barra. Sua construção original data de 1534, sendo uma das mais antigas do Brasil. O local é hoje um dos principais pontos turísticos e culturais de Salvador.
- Forte de São Diogo e Forte do Barbalho: Integram o complexo defensivo da região da Barra e do Corredor da Vitória. O Forte do Barbalho, em particular, é um excelente exemplo de fortificação abaluartada, estilo que revolucionou a guerra de cerco na Europa.
- Forte da Capoeira e Forte de Santa Maria: Localizados na ponta da Península de Itapagipe, protegiam a entrada da Baía de Todos-os-Santos e são peças-chave para entender a estratégia militar portuguesa no Atlântico Sul.
A candidatura ao título de Patrimônio Mundial não representa apenas um selo de prestígio para a cidade. A chancela da UNESCO traria visibilidade internacional, fomentaria o turismo sustentável e, principalmente, garantiria maior atenção e recursos públicos para a preservação e restauro dessas estruturas históricas, muitas das quais se encontram em estado de degradação ou subutilizadas.
Historiadores, arquitetos e gestores públicos da Bahia estão mobilizados para apresentar um dossiê robusto à UNESCO, destacando o Valor Universal Excepcional do conjunto. A decisão final deve sair nos próximos anos, mas a simples inclusão na lista indicativa já coloca Salvador no centro do debate sobre a preservação do patrimônio fortificado das Américas.
A expectativa é de que, com o título, os fortes de Salvador possam ser não apenas lembrados como monumentos do passado, mas vivenciados como espaços vivos de cultura, lazer e educação para as futuras gerações.