Em meio à pandemia de Covid-19, o governo brasileiro assinou um contrato para a compra de 20 milhões de doses da vacina indiana Covaxin, imunizante desenvolvido pela farmacêutica Bharat Biotech. O acordo, intermediado pela empresa Precisa Medicamentos no Brasil, movimentou cerca de R$ 1,6 bilhão e rapidamente se tornou um dos principais alvos de investigação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado Federal.
A tramitação do contrato foi marcada por suspeitas de irregularidades, com testemunhas e documentos sugerindo pressões atípicas dentro do governo para viabilizar o pagamento e a aprovação da vacina. Na época, a Covaxin ainda não tinha aval da Anvisa para uso emergencial no país. A agência reguladora exigiu inspeção na fábrica na Índia e dados adicionais de eficácia, o que atrasou o início da aplicação das doses no Programa Nacional de Imunizações (PNI).
A eficácia da vacina foi alvo de controvérsias: estudos iniciais apontaram taxa de eficácia geral de cerca de 78%, mas a ausência de dados completos levou a Anvisa a negar o pedido de importação excepcional em algumas ocasiões. A situação expôs as fragilidades dos mecanismos de controle e transparência nas aquisições públicas durante a crise sanitária.
O caso Covaxin ilustra os complexos dilemas da gestão da pandemia no Brasil e a necessidade de maior rigor em processos de compra de insumos críticos para a saúde pública. A investigação da CPI resultou em pedidos de indiciamento de agentes públicos e privados, evidenciando o impacto do acordo no cenário político brasileiro.