Governo deve exigir que bets tenham registro dos apostadores

O governo federal está avançando com medidas de regulamentação do mercado de apostas esportivas e cassinos online no Brasil. Uma das principais exigências em discussão é que as empresas de betting (bets) mantenham um registro completo de todos os apostadores, incluindo dados pessoais e histórico de transações. A medida visa aumentar a transparência, prevenir fraudes e combater a lavagem de dinheiro.

Contexto

O mercado de apostas esportivas cresceu exponencialmente no Brasil nos últimos anos, especialmente após a legalização das bets em 2018. No entanto, a falta de uma regulamentação específica para as plataformas online gerou preocupações com relação à segurança dos apostadores e ao uso do sistema financeiro para atividades ilícitas. O governo, por meio do Ministério da Fazenda, tem discutido um marco regulatório que inclua, entre outros pontos, a obrigatoriedade de cadastro dos usuários.

O que a medida propõe

De acordo com as minutas em análise, as bets sediadas no Brasil ou que atuem no mercado brasileiro deverão exigir dos apostadores o fornecimento de dados como:

  • Nome completo e CPF;
  • Comprovante de residência;
  • Conta bancária em nome do próprio apostador;
  • Documento de identidade com foto;
  • Autorização para consulta em bases de dados públicas e privadas.

Além do cadastro, as plataformas terão que manter um registro detalhado de todas as movimentações financeiras de cada usuário por pelo menos cinco anos, mesmo após o encerramento da conta. Esses registros poderão ser solicitados a qualquer momento pelo Banco Central ou pela Receita Federal.

Impactos esperados

A medida deve trazer mais segurança tanto para os apostadores quanto para o sistema financeiro. Com a identificação completa, será mais difícil que criminosos utilizem as plataformas para lavagem de dinheiro. Além disso, o governo poderá tributar de forma mais eficiente os ganhos dos apostadores, que atualmente muitas vezes não são declarados.

Por outro lado, especialistas apontam que a exigência de cadastro completo pode afastar parte dos usuários, que preferem o anonimato ou a agilidade de plataformas não regulamentadas. “Há o risco de que uma parcela significativa migre para sites ilegais, o que contraria o objetivo da regulamentação”, alerta um analista do setor ouvido pela reportagem.

Desafios da implementação

A implementação de um sistema de registro centralizado ou descentralizado ainda é um ponto de debate. Alguns defendem a criação de um banco de dados único gerenciado pelo governo, enquanto outros propõem que as próprias bets armazenem as informações e disponibilizem quando solicitado. A segurança dos dados também é uma preocupação: vazamentos de informações sensíveis podem expor os apostadores a fraudes e golpes.

Outro desafio é a fiscalização. O governo precisará de estrutura para auditar milhares de operadoras e garantir que o registro está sendo feito corretamente. A multa para quem descumprir a regra pode ser elevada, segundo fontes do governo.

Repercussão no setor

As principais associações de betting no Brasil manifestaram apoio à medida, desde que haja prazo adequado para adaptação. “O setor regulado sempre defendeu a identificação dos apostadores como forma de combater ilegalidades. O que não pode é criar burocracia excessiva que inviabilize o negócio”, disse um representante do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR).

Já os defensores dos direitos digitais alertam para o risco de vigilância excessiva. “Exigir tantos dados pessoais pode levar a um monitoramento indesejado dos cidadãos. É preciso equilibrar a segurança com a privacidade”, argumenta a advogada especialista em direito digital Carla Mendes.

Perguntas frequentes (FAQ)

1. A medida já está em vigor?

Não. As regras ainda estão em fase de consulta pública e devem ser votadas no Congresso. A expectativa é que entrem em vigor em 2025 ou 2026.

2. O apostador precisará se identificar toda vez que apostar?

Não. O cadastro é feito uma única vez, no momento da criação da conta. O login pode ser feito com senha ou biometria, sem necessidade de reenviar documentos.

3. As bets terão que compartilhar os dados dos apostadores com o governo?

Sim, em caso de suspeita de irregularidades ou por solicitação da Receita Federal, do Banco Central ou do Coaf. Os dados também poderão ser usados para cruzamento com declarações de Imposto de Renda.

4. O que acontece com quem se recusar a fornecer os dados?

O apostador não poderá criar ou manter uma conta na plataforma. As bets serão obrigadas a recusar transações de usuários não cadastrados ou com cadastro incompleto.

5. A medida vale para sites de apostas internacionais?

A princípio, a regulamentação se aplica a todas as plataformas que operam no Brasil, inclusive aquelas sediadas no exterior, desde que ofereçam serviços a brasileiros. Empresas estrangeiras que não se adequarem poderão ser bloqueadas pelas autoridades brasileiras.

O debate sobre o registro dos apostadores é apenas uma parte de um pacote maior de regulamentação das apostas esportivas no Brasil. A redação final da medida deve ser acompanhada de perto por operadores, apostadores e investidores. A Rádio Panorama FM 87,9 continuará acompanhando o tema e trazendo informações atualizadas.

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