Governo ignorou 10 e-mails da Pfizer sobre vacinas em 1 mês, mostram documentos da CPI
Documentos obtidos pela CPI da Covid revelam que o governo federal ignorou dez e-mails enviados pela Pfizer em setembro de 2020, nos quais a farmacêutica oferecia vacinas contra a Covid-19. As mensagens mostram a tentativa de negociação por parte da Pfizer, que não obteve resposta do governo brasileiro.
A CPI da Pandemia, que investiga a atuação do governo na crise sanitária, divulgou comunicados e e-mails trocados entre representantes da Pfizer e autoridades brasileiras. De acordo com os documentos, em um período de 30 dias, a farmacêutica enviou dez mensagens propondo reuniões e apresentando possibilidades de acordo para fornecimento de vacinas.
O silêncio do governo gerou críticas de parlamentares e especialistas, que apontam que a demora em responder pode ter atrasado a vacinação no Brasil. Enquanto isso, outros países já fechavam contratos com a Pfizer. O caso foi um dos pontos centrais das audiências da CPI, que questionou a celeridade e a transparência do governo na negociação de vacinas.
A CPI foi instalada em abril de 2021 para investigar possíveis omissões do governo no combate à pandemia. Ao longo dos trabalhos, foram coletados depoimentos, documentos e mensagens que indicariam atrasos na compra de vacinas e insumos. O caso dos e-mails da Pfizer tornou-se um dos símbolos das falhas de comunicação entre o governo e fornecedores internacionais.
O relatório final da CPI deve incluir essas evidências como parte das conclusões sobre a gestão da pandemia. A falta de resposta aos e-mails da Pfizer é vista como mais um indício de negligência na condução da política de imunização.