GSI recebe nesta quinta-feira propostas para cibersegurança no país

O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República recebeu nesta quinta-feira um conjunto de propostas voltadas ao fortalecimento da cibersegurança no Brasil. A iniciativa integra o processo de revisão da Estratégia Nacional de Segurança Cibernética (E-Ciber) e busca incorporar contribuições de órgãos públicos, setor privado, academia e sociedade civil.

Contexto da segurança cibernética no Brasil

O Brasil tem registrado crescimento expressivo de incidentes cibernéticos nos últimos anos, com destaque para ataques de ransomware, phishing e vazamentos de dados em larga escala. Relatórios internacionais de segurança digital apontam o país entre os que mais sofrem tentativas de ataques na América Latina, especialmente contra instituições financeiras, órgãos governamentais e prestadores de serviços essenciais. Esse cenário tem pressionado o governo a adotar políticas mais robustas de proteção a infraestruturas críticas e dados pessoais.

A E-Ciber, lançada em 2020, estabelece diretrizes para a atuação coordenada entre União, estados e municípios na prevenção, resposta e recuperação de incidentes. A revisão periódica do plano é considerada fundamental para manter o alinhamento com o cenário dinâmico de ameaças e com as melhores práticas internacionais.

O papel do GSI na cibersegurança

O GSI é o órgão central do Sistema de Segurança Cibernética do governo federal, responsável por coordenar a proteção dos sistemas e redes da administração pública direta. Dentre suas atribuições estão a articulação com ministérios e agências reguladoras, o monitoramento de ameaças cibernéticas e a proposição de normas e políticas para o setor. O recebimento de propostas para cibersegurança reforça a atuação do Gabinete como facilitador do diálogo entre diferentes atores do ecossistema digital.

Para esta rodada de contribuições, foram convidadas empresas de tecnologia, associações setoriais, centros de pesquisa, órgãos de defesa do consumidor e entidades da sociedade civil. A diversidade de participantes visa garantir que a nova versão da E-Ciber reflita as necessidades reais de proteção do ambiente digital brasileiro.

Principais eixos temáticos das propostas

De acordo com informações preliminares divulgadas pelo GSI, as propostas recebidas concentram-se em cinco áreas prioritárias:

  • Proteção de infraestruturas críticas: contribuições sugerem a criação de requisitos mínimos de segurança para setores como energia, telecomunicações, transporte e saúde, além de mecanismos de auditoria e responsabilização.
  • Privacidade e proteção de dados: alinhamento com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), com propostas para fortalecer a governança de dados nas organizações públicas e privadas e ampliar os direitos dos titulares.
  • Fomento à pesquisa e inovação: incentivos ao desenvolvimento de soluções nacionais de cibersegurança, incluindo inteligência artificial para detecção de ameaças, criptografia avançada e plataformas de compartilhamento de informações sobre incidentes.
  • Capacitação e educação digital: programas de treinamento contínuo para servidores públicos e profissionais de TI, bem como campanhas de conscientização da população sobre boas práticas de segurança online.
  • Cooperação internacional: alinhamento com padrões globais de segurança cibernética, participação em acordos bilaterais e multilaterais de combate ao cibercrime e compartilhamento de inteligência sobre ameaças.

Esses eixos refletem as principais preocupações apontadas por especialistas consultados nas fases anteriores de debate da E-Ciber e devem orientar a redação do novo texto da estratégia.

Próximos passos do processo

As propostas serão analisadas por uma comissão técnica multidisciplinar composta por representantes do GSI, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, do Ministério da Defesa e da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). O grupo elaborará um relatório consolidado que servirá de base para a minuta da nova E-Ciber. A previsão é que o documento seja submetido a consulta pública ainda neste semestre.

Além disso, o GSI anunciou a realização de audiências públicas regionais e workshops setoriais para discutir os pontos mais sensíveis com a sociedade. O objetivo é ampliar a participação social e garantir que a estratégia final contemple as diferentes realidades do país. O prazo para o envio de contribuições pela plataforma digital permanece aberto até o final do mês.

Perguntas frequentes sobre a iniciativa

O que é o GSI?

O Gabinete de Segurança Institucional é o órgão da Presidência da República responsável pela segurança do Presidente, pela segurança institucional e pela coordenação da segurança cibernética no âmbito federal.

O que é a E-Ciber?

A Estratégia Nacional de Segurança Cibernética (E-Ciber) é o documento que define as diretrizes, objetivos e ações do governo brasileiro para fortalecer a segurança cibernética no país, abrangendo a proteção de dados, infraestruturas críticas e a cooperação internacional.

Como posso enviar minha contribuição?

O GSI disponibilizou uma plataforma online para recebimento de propostas. Cidadãos, empresas e organizações podem acessar o portal do Gabinete e preencher o formulário específico. O prazo atual encerra-se no fim do mês, mas novas fases de consulta serão abertas ao longo do processo de revisão.

As propostas são vinculantes?

Não. As contribuições recebidas têm caráter consultivo e servirão de insumo para a equipe técnica responsável pela redação da nova E-Ciber. O documento final será submetido à aprovação do Presidente da República e poderá incorporar total ou parcialmente as sugestões recebidas.

O GSI reforça que a participação ampla da sociedade é essencial para a construção de uma política de cibersegurança à altura dos desafios digitais do Brasil. A expectativa é que as propostas recebidas nesta quinta-feira contribuam significativamente para tornar o ambiente digital brasileiro mais seguro, resiliente e alinhado com os padrões internacionais de proteção.

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