Informe Baiano: coronavírus – saiba como proteger as crianças na escola e em casa

A pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2) trouxe mudanças profundas na rotina de famílias em todo o mundo. No Brasil, e especialmente no estado da Bahia, o cenário exigiu adaptações nas escolas e em casa para proteger as crianças. A transmissão comunitária do vírus e o surgimento de variantes mais transmissíveis reforçam a necessidade de manter medidas preventivas. Este Informe Baiano da Rádio Panorama FM 87,9 reúne orientações práticas sobre como reduzir os riscos de infecção entre crianças, tanto no ambiente escolar quanto no convívio doméstico. As recomendações são baseadas em diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), do Ministério da Saúde e da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (SESAB).

Medidas de proteção nas escolas

Com o retorno gradual das aulas presenciais, as escolas se tornaram um ponto de atenção para a prevenção da COVID-19. Crianças podem se infectar e transmitir o vírus, mesmo sem apresentar sintomas. Por isso, é fundamental que as instituições de ensino adotem um conjunto de medidas:

  • Uso de máscaras: máscaras cirúrgicas ou de pano bem ajustadas devem ser usadas por alunos a partir de 2 anos de idade, durante todo o período em que estiverem na escola. Para crianças menores, o uso deve ser supervisionado por um adulto.
  • Higienização das mãos: disponibilizar álcool em gel 70% em locais de fácil acesso. Lavar as mãos com água e sabão por pelo menos 20 segundos, especialmente antes de comer, após usar o banheiro e ao tossir ou espirrar.
  • Distanciamento físico: manter distância mínima de 1 metro entre os alunos, reorganizando as salas de aula para reduzir a lotação.
  • Ventilação natural: salas de aula devem ser mantidas arejadas, com janelas abertas para garantir a circulação de ar. Sistemas de ar-condicionado devem passar por limpeza regular.
  • Limpeza de superfícies: mesas, cadeiras, maçanetas e brinquedos devem ser limpos com desinfetantes adequados ao menos uma vez ao dia.
  • Triagem e isolamento: alunos e funcionários com sintomas gripais devem ser imediatamente afastados e orientados a realizar teste. A escola deve manter um protocolo de comunicação com as famílias.

As cantinas e refeitórios também exigem cuidados extras: os alunos devem manter distância durante as refeições, e o compartilhamento de copos, talheres e lanches deve ser proibido. Atividades ao ar livre são preferíveis sempre que possível, pois reduzem a concentração do vírus no ambiente.

Cuidados em casa para evitar a contaminação

Em casa, a prevenção deve ser contínua. Pais e responsáveis podem adotar hábitos simples que fazem diferença:

  • Higienização ao chegar da rua: lavar as mãos e trocar de roupa antes de contato com as crianças.
  • Limpeza de objetos: brinquedos, celulares, tablets e outros itens de uso frequente devem ser limpos periodicamente.
  • Evitar aglomerações: reduzir visitas e festas em ambientes fechados. Preferir encontros ao ar livre quando seguro.
  • Etiqueta respiratória: ensinar as crianças a tossir e espirrar no antebraço e a usar lenços descartáveis.
  • Monitoramento de sintomas: medir a temperatura e observar sinais como tosse, coriza, cansaço ou perda de olfato/paladar.
  • Isolamento domiciliar: caso alguém da casa apresente sintomas, separar objetos de uso pessoal, ventilar os cômodos e usar máscara dentro de casa.

Ao receber encomendas ou fazer compras, limpe as embalagens e lave bem as mãos após manuseá-las. Animais de estimação não transmitem o vírus, mas podem servir de fômites; mantenha a higiene dos pets e evite que eles entrem em contato com pessoas infectadas.

Vacinação infantil contra a COVID-19

A vacinação é a ferramenta mais eficaz na prevenção de casos graves e mortes por COVID-19. No Brasil, a vacina está autorizada para crianças a partir de 6 meses de idade, seguindo o calendário nacional de imunização:

  • Esquema vacinal: duas doses iniciais, com intervalo recomendado de 8 semanas, seguidas de doses de reforço para grupos prioritários.
  • Locais de vacinação: as vacinas estão disponíveis nas unidades básicas de saúde (UBS) e em campanhas municipais. Em Lauro de Freitas e região metropolitana de Salvador, a SESAB tem promovido mutirões de vacinação.
  • Segurança: as vacinas utilizadas no Brasil (Coronavac, Pfizer pediátrica) passaram por rigorosa aprovação da Anvisa e demonstram segurança e eficácia para crianças.
  • Importância: vacinar as crianças não só protege individualmente, mas também ajuda a reduzir a circulação do vírus na comunidade, protegendo familiares vulneráveis.

A adesão das famílias à vacinação é fundamental para aumentar a cobertura vacinal e evitar o retorno de medidas restritivas. A imunização infantil também contribui para a proteção de idosos e pessoas com comorbidades que vivem na mesma casa.

Sinais de alerta e quando procurar atendimento

Embora a maioria das crianças apresente quadros leves de COVID-19, algumas podem evoluir para formas graves. Fique atento a estes sinais:

  • Febre persistente (acima de 38°C por mais de 3 dias)
  • Tosse frequente ou dificuldade para respirar (respiração rápida, cansaço ao falar)
  • Dor de garganta intensa
  • Coriza e espirros
  • Perda de apetite
  • Diarreia e vômitos
  • Manchas na pele (em casos de síndrome inflamatória multissistêmica – SIM-P)

Caso a criança apresente dificuldade respiratória, confusão mental ou lábios azulados, procure imediatamente o serviço de emergência. Em casos leves, a orientação é fazer o teste, manter isolamento e monitorar os sintomas. A testagem está disponível nos postos de saúde de Lauro de Freitas e Itinga.

Saúde mental e bem-estar emocional

O isolamento social, o medo da doença e as mudanças na rotina podem afetar a saúde mental das crianças. É importante que pais e educadores estejam atentos a sinais de estresse, ansiedade ou tristeza:

  • Converse abertamente sobre a pandemia, usando linguagem adequada à idade.
  • Mantenha uma rotina previsível, com horários para estudar, brincar e descansar.
  • Estimule atividades ao ar livre, respeitando os protocolos de segurança.
  • Limite o tempo de telas e incentive brincadeiras criativas, como leitura, desenho e jogos de tabuleiro.
  • Ofereça acolhimento: ouça os medos da criança e valide seus sentimentos.
  • Em caso de sinais persistentes de sofrimento, busque apoio profissional.

Estabelecer um horário fixo para conversar sobre as emoções pode fortalecer o vínculo familiar e reduzir a ansiedade. Ensine as crianças a importância dos cuidados sem gerar pânico, explicando que as medidas de proteção são temporárias e necessárias.

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. Crianças com menos de 2 anos devem usar máscara?

Não. O uso de máscara não é recomendado para bebês menores de 2 anos devido ao risco de sufocamento. A melhor proteção é o distanciamento e a higiene rigorosa das mãos dos adultos que cuidam delas.

2. A vacina contra COVID-19 pode ser tomada junto com outras vacinas do calendário infantil?

Sim. O Ministério da Saúde recomenda a coadministração com outras vacinas, mas é importante consultar o posto de saúde para orientações específicas sobre o esquema vacinal da criança.

3. O que fazer se a criança tiver contato com alguém positivado?

Monitorar os sintomas por 10 dias e realizar teste a partir do 3º dia após o contato. Manter a criança em casa e evitar contato com pessoas do grupo de risco. Se surgirem sintomas, procurar atendimento médico.

4. Crianças podem brincar com amigos durante a pandemia?

Brincadeiras ao ar livre, com distanciamento e uso de máscaras para crianças acima de 2 anos, são mais seguras. Evite encontros em locais fechados e aglomerações. O ideal é que os pais combinem regras claras com as outras famílias.