Líder da Coreia do Norte descreve surto de Covid como 'grande turbulência'; país registra 42 mortes
Em meados de maio de 2022, a Coreia do Norte confirmou oficialmente a presença do novo coronavírus em seu território, após mais de dois anos mantendo a posição de que não havia casos no país. O líder Kim Jong-un descreveu o surto como uma "grande turbulência" e as autoridades reportaram 42 mortes ligadas à Covid-19. O anúncio marcou uma mudança significativa na postura do regime, que até então sustentava uma política de zero contágio com base em rígidas medidas de isolamento.
- Primeiro surto de Covid-19 confirmado na Coreia do Norte em maio de 2022.
- 42 mortes oficiais e mais de 800.000 casos de febre.
- Kim Jong-un descreveu a situação como "grande turbulência".
- Medidas de lockdown e assistência militar foram adotadas.
- Oferta de ajuda internacional, mas recepção limitada.
- Em julho de 2022, o país declarou "vitória" sobre o surto.
Contexto do surto na Coreia do Norte
A Coreia do Norte implementou alguns dos lockdowns mais severos do mundo desde o início da pandemia. Fechou fronteiras já em janeiro de 2020, suspendeu voos e impôs quarentenas obrigatórias para viajantes. Apesar dessas medidas, o vírus acabou entrando no país, provavelmente através de mercadorias ou pessoas vindas da China. Em abril de 2022, um surto de febre de origem desconhecida começou a se espalhar por Pyongyang e outras regiões. Exames realizados em amostras de pacientes revelaram a variante Ômicron do SARS-CoV-2. A rápida propagação foi favorecida pela falta de vacinação em massa – menos de 1% da população estava imunizada – e por um sistema de saúde fragilizado por décadas de sanções e subinvestimento.
Declarações de Kim Jong-un
Ao presidir uma reunião de emergência do Bureau Político do Partido dos Trabalhadores em 12 de maio de 2022, Kim Jong-un descreveu a situação como a "maior turbulência" a abalar o país desde sua fundação. Ele convocou todo o partido, as forças armadas e a população para se mobilizarem e conterem o surto. O líder determinou que o exército médico fosse destacado para as áreas mais afetadas e que medicamentos fossem distribuídos rapidamente. Kim também criticou a burocracia e cobrou eficiência das autoridades de saúde. Suas declarações foram transmitidas pela televisão estatal e geraram comoção internacional, sendo interpretadas como um reconhecimento tácito da gravidade da crise.
Números oficiais e subnotificação
Até meados de maio, a mídia estatal reportou 42 mortes e mais de 800 mil casos de febre em todo o país. A taxa de letalidade oficial era extremamente baixa (cerca de 0,005%), o que levantou suspeitas de subnotificação. Especialistas da OMS apontaram que a capacidade de testagem era limitada e que muitos óbitos poderiam não estar sendo contabilizados como Covid-19. Além disso, a definição de caso adotada – baseada apenas em sintomas febris – poderia subestimar o número real de infecções. A falta de transparência do regime norte-coreano sempre foi um obstáculo para uma avaliação precisa.
Medidas de contenção adotadas
Diante do avanço do vírus, as autoridades impuseram lockdowns municipais, fecharam escolas e locais de trabalho não essenciais, e proibiram aglomerações. Hospitais de campanha foram montados em estádios e ginásios. O governo também intensificou a produção de medicamentos antipiréticos e antibióticos, além de recorrer à medicina tradicional coreana, como decocções de ginseng e outras ervas. A OMS ofereceu assistência técnica e vacinas, mas Pyongyang inicialmente recusou, alegando dificuldades logísticas. Posteriormente, o país aceitou doações de vacinas da China (CoronaVac) e da COVAX, mas o processo de vacinação foi lento e limitado.
Reação internacional e ajuda humanitária
A comunidade internacional acompanhou com preocupação o surto na Coreia do Norte. A China enviou suprimentos médicos e uma equipe de especialistas. A Coreia do Sul propôs ajuda humanitária, mas as relações intercoreanas deterioradas dificultaram a cooperação. A Rússia também ofereceu assistência. Os Estados Unidos e a Organização das Nações Unidas reiteraram ofertas de vacinas e apoio técnico. No entanto, as sanções internacionais e a desconfiança do regime limitaram a entrada de ajuda externa. Organizações não governamentais alertaram que, sem uma resposta robusta, o país poderia enfrentar uma catástrofe humanitária.
Situação atual e lições aprendidas
Após algumas semanas de medidas intensivas, o número de novos casos de febre começou a declinar. Em julho de 2022, a Coreia do Norte declarou "vitória" sobre a epidemia e suspendeu as medidas de emergência, reabrindo gradualmente a economia. No entanto, permanece a vulnerabilidade diante de novas variantes, uma vez que a cobertura vacinal continua baixa. O episódio evidenciou a necessidade de maior transparência, de cooperação internacional em saúde pública e de investimento em sistemas de saúde resilientes. A Coreia do Norte continua sob vigilância da OMS, mas as informações oficiais seguem escassas.
Perguntas frequentes
Quantas mortes por Covid-19 foram registradas na Coreia do Norte?
Oficialmente, 42 mortes foram atribuídas à Covid-19 até maio de 2022. No entanto, analistas internacionais acreditam que o número real possa ser maior devido à subnotificação e à limitada capacidade de diagnóstico.
Por que a Coreia do Norte demorou a admitir casos de Covid?
O país adotou desde o início da pandemia uma política de "zero casos", fechando fronteiras e promovendo a ideia de que sua "medicina socialista" era capaz de impedir a entrada do vírus. A pressão interna causada pelo grande surto de febres forçou o reconhecimento oficial em maio de 2022.
A Coreia do Norte recebeu vacinas?
Sim, o país recebeu lotes de vacinas chinesas (CoronaVac) e também por meio do mecanismo COVAX, mas a distribuição foi limitada. Até o final de 2022, a cobertura vacinal completa era estimada em menos de 10% da população.
Qual foi o impacto econômico do surto?
As medidas de lockdown e o fechamento de fronteiras agravaram a crise econômica já existente, com interrupções na produção industrial, redução do comércio com a China e aumento da escassez de alimentos e medicamentos.
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