O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, declarou nesta segunda-feira que os protestos que vêm ocorrendo no país foram orquestrados pelos Estados Unidos e por Israel. Em discurso transmitido pela televisão estatal, Khamenei acusou os dois países de financiarem e organizarem a onda de manifestações que abalou o regime iraniano nos últimos meses.
As manifestações começaram em setembro de 2022, após a morte de Mahsa Amini, uma jovem curda que havia sido detida pela polícia da moral por uso inadequado do véu. O movimento rapidamente se transformou em um dos maiores desafios ao governo da República Islâmica do Irã em décadas.
Khamenei, no entanto, atribuiu a insatisfação popular a uma conspiração externa. “O inimigo, com o apoio dos EUA e do regime sionista, usou todas as ferramentas para criar insegurança e dividir o povo iraniano”, afirmou.
O líder supremo também criticou veículos de mídia ocidentais por, segundo ele, distorcerem a realidade e incentivarem a violência. Ele pediu que os jovens iranianos não se deixem enganar pela “guerra psicológica” promovida pelo Ocidente.
O governo iraniano tem respondido aos protestos com forte repressão, resultando em centenas de mortos e milhares de presos, segundo organizações de direitos humanos. As declarações de Khamenei reforçam a narrativa oficial de que as manifestações são fruto de interferência estrangeira.