Mais de 1 milhão de brasileiros aguardam perícias médicas no INSS

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) enfrenta uma fila de mais de 1 milhão de brasileiros aguardando a realização de perícias médicas. O número, que voltou a crescer nos últimos meses, reflete a alta demanda por benefícios como auxílio-doença, aposentadoria por invalidez e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). A espera prolongada tem gerado preocupação entre segurados e especialistas, que cobram medidas urgentes do governo federal.

O que são as perícias médicas do INSS?

A perícia médica é uma avaliação obrigatória para quem solicita benefícios por incapacidade ao INSS. Realizada por um perito federal, a consulta tem o objetivo de comprovar a existência de doença ou lesão que impeça o trabalhador de exercer suas funções habituais. Sem essa avaliação, não é possível conceder o auxílio-doença, a aposentadoria por invalidez ou o BPC para pessoas com deficiência.

Nos últimos anos, a digitalização de parte do processo permitiu que alguns pedidos fossem analisados sem perícia presencial, mas ainda há situações que exigem avaliação presencial, especialmente em casos de benefícios por longa duração ou quando há inconsistências na documentação.

Por que mais de 1 milhão de pessoas estão na fila?

Diversos fatores contribuíram para o acúmulo de mais de 1 milhão de perícias pendentes no INSS. Entre os principais estão:

  • Pandemia de Covid-19: durante o período mais crítico, as perícias presenciais foram suspensas ou reduzidas drasticamente, gerando um backlog que ainda não foi totalmente absorvido.
  • Falta de peritos médicos: há déficit de profissionais nos quadros do INSS, especialmente em regiões mais afastadas dos grandes centros.
  • Aumento da demanda: o envelhecimento da população e as sequelas de doenças crônicas e ocupacionais elevam o número de pedidos de benefícios por incapacidade.
  • Processos judiciais: muitos segurados recorrem à Justiça para obter o benefício, o que gera novas determinações de perícias judiciais e sobrecarrega ainda mais o sistema.

Quem são os brasileiros que mais esperam?

A fila de espera é composta majoritariamente por trabalhadores que solicitam auxílio-doença (benefício por incapacidade temporária), mas também inclui candidatos à aposentadoria por invalidez e ao BPC. Muitos desses brasileiros estão em situação de vulnerabilidade, sem condições de trabalhar e sem receber o benefício a que teriam direito.

Dados do INSS indicam que as regiões Sudeste e Nordeste concentram o maior número de pedidos, mas a demora relativa é maior em estados com menos peritos disponíveis. Apenas no estado da Bahia, onde está localizada a Rádio Panorama, a fila ultrapassa dezenas de milhares de esperas.

Consequências da demora na perícia

A espera prolongada por uma perícia médica traz sérias consequências para o trabalhador e sua família. Sem o benefício, muitos perdem sua única fonte de renda e passam a depender de ajuda de parentes ou de programas assistenciais temporários. Além disso, a demora pode agravar o quadro de saúde do segurado, que muitas vezes deixa de fazer tratamentos por falta de recursos.

O impacto também atinge o sistema de saúde pública, já que pessoas sem renda recorrem ao SUS com quadros mais avançados de doenças. Para a economia, a ausência de proteção social adequada reduz o consumo e a capacidade de recuperação da força de trabalho.

O que o governo e o INSS têm feito?

Para tentar reduzir a fila, o governo federal anunciou medidas como a realização de mutirões de perícias, a contratação de novos peritos temporários e a ampliação da perícia documental (análise remota de documentos). Também foi criado o programa "INSS Digital", que permite o agendamento online e o envio de atestados médicos pela internet.

Especialistas, no entanto, avaliam que as ações ainda são insuficientes diante do tamanho da demanda. Eles defendem a realização de concursos públicos para peritos efetivos e o investimento em tecnologia para análise automatizada de processos mais simples.

Orientações para quem aguarda a perícia

Enquanto a situação não se normaliza, os segurados podem tomar algumas providências para tentar agilizar o processo:

  • Manter os dados cadastrais atualizados no site Meu INSS.
  • Reunir toda a documentação médica (laudos, exames, atestados) antes do agendamento.
  • Acompanhar o andamento do pedido pelo aplicativo ou pela central 135.
  • Em caso de atraso excessivo, buscar orientação em um posto de atendimento ou com um advogado especializado.
  • Ficar atento a convocações por carta ou mensagem; quem perde a data agendada pode ter o pedido cancelado.

Para mais informações sobre direitos previdenciários, acesse nossa seção de Utilidade Pública e Saúde e Bem-Estar.

Perguntas frequentes sobre a perícia do INSS

Quanto tempo leva para ser chamado para a perícia?
O prazo varia conforme a região e a disponibilidade de peritos. Em média, pode levar de 30 a 90 dias, mas em locais com maior déficit a espera pode superar seis meses.

Posso fazer a perícia online?
Sim, em alguns casos é possível enviar documentos pelo Meu INSS sem precisar comparecer a uma agência. A perícia documental é válida para pedidos de prorrogação de auxílio-doença e para situações em que a documentação médica é suficiente.

O que fazer se minha perícia for negada?
É possível recorrer administrativamente ou entrar com ação judicial. Recomenda-se reunir novos exames e laudos que comprovem a incapacidade.

A fila de perícias afeta a concessão de aposentadorias?
Sim, pois a aposentadoria por invalidez depende da perícia. Já a aposentadoria por idade não exige perícia, a menos que haja conversão de auxílio-doença.

Redação Rádio Panorama FM 87,9