Mal da Seca mata mangueiras em Salvador e Lauro de Freitas
Moradores de Salvador e Lauro de Freitas têm observado um fenômeno preocupante: mangueiras inteiras secando e morrendo em bairros das duas cidades. O problema, popularmente conhecido como "Mal da Seca", tem gerado grande apreensão entre a população e acendido um alerta sobre a saúde da arborização urbana na região metropolitana de Salvador.
As árvores afetadas apresentam sintomas que evoluem rapidamente: folhas amareladas e murchas, ressecamento progressivo dos galhos e, em muitos casos, a morte completa da planta em poucas semanas. O problema não se restringe a uma área específica, sendo registrado em diversos bairros de Salvador e também em localidades de Lauro de Freitas, incluindo Vilas do Atlântico, Buraquinho e regiões centrais do município.
Especialistas apontam que o "Mal da Seca" é resultado de uma combinação de fatores ambientais e biológicos. O principal deles é o estresse hídrico causado pela longa estiagem que atinge o estado da Bahia. A falta de chuvas regulares enfraquece as mangueiras, tornando-as mais suscetíveis ao ataque de fungos e bactérias oportunistas, como a Ceratocystis fimbriata, agente causador da murcha-de-ceratocystis, conhecida por atacar diversas espécies frutíferas. O solo compactado e a impermeabilização urbana, comuns nas grandes cidades, agravam a falta de água disponível para as raízes profundas das mangueiras.
A perda das mangueiras representa um duro golpe para o patrimônio ambiental e cultural da região. Essas árvores são parte da identidade das ruas baianas, fornecendo sombra essencial para amenizar o calor, abrigo para a fauna local — como pássaros e pequenos mamíferos — e contribuindo diretamente para a qualidade do ar. Além disso, a mangaba, fruto tão apreciado na culinária local, deixa de ser colhida, impactando a economia informal de pequenos vendedores e a tradição cultural associada a ela.
Diante do avanço do problema, moradores e biólogos recomendam que a população informe os órgãos competentes sobre a localização de árvores doentes. As secretarias de Meio Ambiente de Salvador e Lauro de Freitas podem ser acionadas para avaliar a situação fitossanitária e realizar a poda ou remoção segura dos exemplares comprometidos. Ações de irrigação periódica, adubação orgânica e o plantio de mudas de espécies nativas mais resistentes são medidas fundamentais para conter a propagação do mal e preservar as mangueiras que ainda resistem. A preservação dessas árvores icônicas é uma prioridade para a qualidade de vida e o conforto ambiental de toda a população.