Marcelo Sant’Ana é oficialmente empossado como presidente do Bahia

O Esporte Clube Bahia iniciou oficialmente um novo capítulo de sua história. O empresário Marcelo Sant’Ana foi empossado presidente do Tricolor de Aço na manhã da última quinta-feira, 2 de janeiro de 2025, em uma solenidade realizada na sede administrativa do clube, no bairro de Pernambués, em Salvador. O mandato do novo dirigente se estende até dezembro de 2027, com a promessa de promover uma ampla reestruturação financeira, modernizar a gestão e recolocar o clube no caminho das conquistas dentro e fora de campo.

Trajetória e vitória nas urnas

Marcelo Sant’Ana não é um rosto novo nos corredores do Fazendão. Empresário do ramo da construção civil, ele já ocupou o cargo de vice-presidente do clube durante a gestão de Marcelo Guimarães Filho, entre 2009 e 2013, período de relativo sucesso esportivo com títulos baianos e boas campanhas na Série A. Após um período afastado da política do clube, Sant’Ana retornou em 2024 com uma chapa de união, batizada de "Bahia de Todos". A chapa conseguiu agregar diferentes grupos políticos que antes eram adversários, vencendo a eleição no conselho com ampla margem de votos. A participação recorde de associados e conselheiros demonstrou o anseio generalizado da torcida por uma gestão focada em profissionalismo e que deixasse de lado as disputas internas que marcaram os últimos anos.

Cerimônia de posse e discurso de união

A posse foi marcada por um clima de esperança e união. Estiveram presentes conselheiros, ex-presidentes como Emerson Ferretti e Carlos Alberto França, representantes de torcidas organizadas e autoridades políticas locais. Em seu discurso, Marcelo Sant’Ana foi enfático sobre a urgência do trabalho. "Não temos mais tempo a perder com disputas internas. O torcedor do Bahia quer um clube forte, competitivo e com contas no azul. Nosso compromisso é trabalhar duro para devolver ao Bahia o lugar de destaque que ele merece", declarou o novo presidente, sendo aplaudido de pé pelos presentes. A cerimônia foi encerrada com a assinatura do termo de posse e a tradicional transmissão do cargo, dando início oficial ao novo triênio.

Plano de gestão para o triênio

O novo presidente já traçou um plano de metas claras e estruturadas, com ações imediatas para os primeiros 100 dias que servirão de base para todo o mandato.

Auditoria e reestruturação financeira: Uma auditoria externa e independente será contratada nas primeiras semanas para levantar o passivo real do clube. A ideia é ter um raio-X completo das dívidas trabalhistas, fiscais e com fornecedores para planejar a renegociação. "Só com um diagnóstico preciso das contas poderemos traçar uma estratégia realista de pagamento e equacionar o fluxo de caixa", explicou Sant’Ana.

Infraestrutura e centro de treinamento: A conclusão do Centro de Treinamento Eduardo Viana, em Dias d'Ávila, é tratada como prioridade absoluta. A obra, que se arrasta há anos, é fundamental para dar estrutura adequada às categorias de base e ao time profissional. A reforma e modernização do Estádio Roberto Santos, o Pituaçu, também está nos planos da diretoria, que busca alternativas para gerar receita com jogos de menor apelo.

Futebol e categoria de base: No esportivo, a diretoria confirmou a permanência do técnico Rogério Ceni e a manutenção da base do elenco para a disputa da Série B do Campeonato Brasileiro de 2025. A promessa é montar um time competitivo para buscar o acesso, mas sem comprometer o orçamento com salários astronômicos. O fortalecimento das categorias de base é visto como a principal fonte de receita e de formação de atletas para o futuro, com a criação de um centro de formação de atletas moderno.

Marketing, receitas e sócio-torcedor: Um novo programa de sócio-torcedor será lançado, com planos mais atrativos e vantagens exclusivas. A busca por novos patrocinadores e a exploração de ativos como o naming rights do CT e de Pituaçu estão no radar da gestão para aumentar as receitas não relacionadas ao futebol.

Os gigantes desafios pela frente

Apesar do otimismo e do discurso de união, os desafios que Marcelo Sant’Ana herda são monumentais. O Bahia não disputa a Série A do Campeonato Brasileiro desde 2014 e acumula uma dívida milionária que ultrapassa a casa dos R$ 200 milhões. A pressão por resultados esportivos é enorme, e a Série B é conhecida por sua competitividade e equilíbrio, onde qualquer tropeço pode custar caro.

No campo político, manter a união costurada durante a campanha será um teste diário para Sant’Ana. A oposição promete fiscalizar cada passo da gestão. Já no campo esportivo, a torcida está sedenta por acesso e por um time que jogue com raça e organização. A nova gestão terá que equilibrar o curto prazo esportivo com a necessidade de um profundo saneamento financeiro, além de lidar com a pressão das redes sociais e a desconfiança de parte da torcida.

Outro ponto de atenção é a relação com a Arena Fonte Nova. O contrato de gestão é visto como desfavorável pelo clube, e a nova diretoria pretende renegociar os termos para garantir mais receitas e melhores condições para mandar seus jogos. A busca por novas fontes de receita, como a venda planejada de atletas e a exploração do marketing digital, serão cruciais para o equilíbrio das contas.

Perguntas frequentes

Qual a duração do mandato de Marcelo Sant’Ana?

O mandato do novo presidente é de três anos, com vigência de janeiro de 2025 a dezembro de 2027, conforme previsto no estatuto do clube.

Quais as principais propostas da nova gestão?

As principais propostas incluem: auditoria completa das contas, renegociação da dívida, conclusão das obras do CT de Dias d'Ávila, reforma de Pituaçu, fortalecimento das categorias de base, reestruturação do programa de sócio-torcedor, aumento da transparência orçamentária e montagem de um elenco competitivo para buscar o acesso.

Como o torcedor pode acompanhar as ações do novo presidente?

A diretoria prometeu mais transparência na comunicação, com a divulgação periódica de relatórios financeiros, a realização de entrevistas coletivas e o uso ativo das redes sociais para informar a torcida sobre as decisões e projetos em andamento.

Quando o Bahia pode voltar à Série A?

A diretoria evita fazer promessas de acesso imediato para não criar expectativas irreais. A meta central é estruturar o clube de forma sustentável, para que o retorno à elite do futebol nacional seja uma consequência natural do trabalho de reestruturação e planejamento.

O que acontecerá com o contrato da Arena Fonte Nova?

A nova diretoria considera o contrato atual desfavorável e pretende renegociar os termos com o consórcio gestor para garantir mais receitas e melhores condições para o clube mandar seus jogos na Arena.

Com a posse de Marcelo Sant’Ana, o Esporte Clube Bahia inicia um novo e desafiador ciclo. A expectativa da torcida é alta, e a responsabilidade da nova diretoria é imensa. Resta agora acompanhar se o ambicioso plano de gestão será capaz de transformar o clube dentro e fora de campo, devolvendo a alegria ao torcedor tricolor.