Médico diz como doença do beijo pode ser evitada no carnaval
O Carnaval é um dos períodos mais animados do ano, mas também exige atenção redobrada com a saúde. A mononucleose infecciosa, conhecida popularmente como “doença do beijo” e causada pelo vírus Epstein-Barr (EBV), pode ser transmitida facilmente em meio à multidão e aos beijos típicos da folia. De acordo com médicos, algumas medidas simples podem reduzir significativamente o risco de contágio.
O que é a doença do beijo?
A mononucleose infecciosa é uma infecção viral aguda causada pelo EBV, um vírus da família do herpes. Ela é chamada de “doença do beijo” porque sua principal via de transmissão é a saliva. Estima-se que cerca de 90% da população mundial já tenha sido infectada pelo vírus, embora muitas pessoas não desenvolvam sintomas. Quando ocorrem, os sintomas podem incluir febre alta, dor de garganta intensa, cansaço prolongado e inchaço dos gânglios linfáticos.
Como ocorre a transmissão?
O EBV é transmitido pelo contato direto com a saliva infectada. Beijar é a forma mais comum, mas o vírus também pode ser transmitido ao compartilhar copos, talheres, canudos, escovas de dente ou qualquer objeto que entre em contato com a saliva. Durante o Carnaval, o aumento do número de beijos e a circulação de objetos compartilhados em blocos e festas elevam o risco de transmissão. O período de incubação varia de 4 a 6 semanas, e uma pessoa pode transmitir o vírus mesmo antes de apresentar sintomas.
Quais os principais sintomas?
Os sintomas mais comuns incluem febre (geralmente acima de 38,5 °C), dor de garganta com placas brancas, cansaço extremo, dor de cabeça, perda de apetite, dores musculares e aumento dos gânglios no pescoço, axilas e virilha. Em alguns casos, pode ocorrer aumento do baço (esplenomegalia) e do fígado, levando a icterícia. O diagnóstico é feito por exame clínico e confirmado por exames de sangue (hemograma e sorologia para EBV).
Por que o Carnaval é um período de maior risco?
O Carnaval reúne multidões em espaços concentrados, favorecendo o contato próximo e a troca de saliva. Beijar várias pessoas, inclusive desconhecidos, é comum. Também é frequente compartilhar copos e garrafas de bebida. Esses comportamentos aumentam exponencialmente as chances de exposição ao vírus Epstein-Barr e a outros agentes infecciosos.
Medidas de prevenção
Para aproveitar a folia sem comprometer a saúde, os especialistas recomendam:
- Evitar beijar pessoas que estejam com sintomas visíveis de infecção, como febre ou lesões nos lábios.
- Usar copos descartáveis ou individuais.
- Não compartilhar garrafas, latas ou canudos.
- Lavar as mãos com frequência com água e sabão ou usar álcool em gel.
- Manter o sistema imunológico fortalecido com alimentação equilibrada, hidratação adequada e sono de qualidade.
- Evitar contato íntimo com pessoas que sabidamente estão com mononucleose ativa.
Tratamento: o que fazer em caso de suspeita?
Não existe tratamento antiviral específico para a mononucleose. O manejo é sintomático: repouso, hidratação, antitérmicos e analgésicos para febre e dor. Anti-inflamatórios devem ser evitados sem orientação médica, especialmente se houver aumento do baço. O uso de antibióticos não é eficaz, pois a doença é viral. Em casos graves, o médico pode prescrever corticoides para reduzir inflamação das vias aéreas.
Perguntas frequentes (FAQ)
A doença do beijo tem cura?
Sim, na maioria dos casos a infecção se resolve sozinha em algumas semanas. O vírus permanece latente no organismo, mas raramente causa reinfecção sintomática.
Quanto tempo dura a doença?
Os sintomas agudos duram de 2 a 4 semanas, mas a fadiga pode persistir por meses.
É possível pegar mononucleose mais de uma vez?
Geralmente não, pois o sistema imunológico cria anticorpos. No entanto, reativação do vírus pode ocorrer em pessoas imunossuprimidas.
Existe vacina contra a mononucleose?
Atualmente não há vacina disponível para o EBV.
Crianças podem contrair a doença?
Sim, mas a infecção na infância costuma ser assintomática ou leve.
Quando procurar um serviço de saúde?
Se você apresentar febre alta persistente, dor de garganta que dificulta a deglutição, cansaço extremo, dor abdominal (lado esquerdo, onde fica o baço) ou icterícia, procure atendimento médico. O diagnóstico precoce ajuda a evitar complicações como ruptura esplênica e meningite viral.
Com medidas simples de prevenção, é possível curtir o Carnaval com segurança. Fique atento aos sintomas e siga as orientações dos profissionais de saúde.
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