Michel Temer disse a Lula que desembarque do PMDB é ’irreversível’

Em um encontro realizado em março de 2016, o então vice-presidente Michel Temer comunicou ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que a saída do PMDB da base aliada do governo Dilma Rousseff era uma decisão irreversível. O encontro ocorreu em meio a uma grave crise política e econômica que já ameaçava a continuidade do governo petista.

Temer, que também presidia o PMDB, já havia sinalizado nos dias anteriores que a legenda romperia com o governo. A reunião com Lula, que na época ocupava o cargo de ministro da Casa Civil, foi vista como uma tentativa de reverter a decisão, mas o vice-presidente manteve a posição do partido. O PMDB, maior partido da base aliada, já vinha demonstrando insatisfação com os rumos da economia e as denúncias de corrupção que envolviam o governo.

O desembarque do PMDB foi um dos momentos‑chave para o agravamento da crise que levaria ao impeachment de Dilma Rousseff em agosto de 2016. Com o rompimento, o governo perdeu ainda mais sustentação no Congresso Nacional, abrindo caminho para a admissibilidade do processo que culminaria no afastamento definitivo da presidente.

A declaração de Temer a Lula marcou o início de uma nova fase na política brasileira, realinhando forças partidárias e resultando na própria ascensão de Temer à presidência. Até hoje, o episódio é lembrado como um divisor de águas na história recente do país, pois escancarou as fissuras do sistema político e acelerou a queda do governo que havia vencido as eleições de 2014.

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