Moro ordena sequestro de US$ 5 mi de Eduardo Cunha
O juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância, determinou o sequestro de valores que chegam a US$ 5 milhões (cerca de R$ 25 milhões) ligados ao ex-deputado federal Eduardo Cunha. A decisão faz parte das ações de recuperação de ativos desviados.
De acordo com a investigação, os valores estariam ocultos em contas no exterior e foram identificados a partir de acordos de colaboração premiada e quebras de sigilo bancário. A defesa de Eduardo Cunha ainda não se manifestou sobre a decisão judicial.
Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, foi condenado em diversas ações da Lava Jato por crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Ele cumpre pena em regime fechado desde 2017. O montante de US$ 5 milhões se refere a propinas e comissões ilegais recebidas por Cunha em contratos superfaturados da Petrobras e de outras estatais, segundo as denúncias do Ministério Público Federal. A localização dos recursos foi possível graças à cooperação internacional e ao compartilhamento de informações financeiras entre países.
O sequestro de ativos é uma medida cautelar que visa garantir que, ao final do processo, os recursos desviados dos cofres públicos possam ser recuperados. A decisão de Moro reforça o entendimento de que os proventos do crime não podem ser usufruídos pelos condenados.
O ex-deputado, que exerceu forte influência no governo Dilma Rousseff, foi um dos principais alvos da Lava Jato. Sua condenação e a subsequente perda de mandato marcaram um ponto de inflexão no combate à corrupção no Brasil. A medida de sequestro agora ordenada por Moro garante que, mesmo em caso de recursos, os valores permaneçam bloqueados até o trânsito em julgado.