Mulher que se dizia enfermeira e aplicou vacina falsa é indiciada
Uma mulher que se passava por enfermeira e aplicava vacinas falsas em moradores de Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador, foi indiciada pela Polícia Civil. O caso gerou grande preocupação na comunidade e acendeu um alerta sobre a importância de verificar a idoneidade de profissionais de saúde que oferecem serviços domiciliares.
De acordo com as investigações, a suspeita abordava as vítimas em suas casas, alegando ser profissional de saúde e estar realizando uma campanha de vacinação. Ela cobrava valores entre R$ 50 e R$ 200 pelas doses, que supostamente seriam contra a dengue, covid-19 e outras doenças. Após a aplicação, as vítimas começaram a desconfiar, pois não recebiam nenhum comprovante e o cartão de vacina apresentava irregularidades evidentes.
O caso começou a ser investigado após a denúncia de uma das vítimas, que procurou a delegacia depois de sentir fortes reações alérgicas. Exames laboratoriais indicaram que a substância aplicada não era um imunizante, mas sim uma solução salina. “Ela agiu com total desrespeito à vida. Além de causar danos físicos e psicológicos, colocou em risco a saúde de dezenas de pessoas que acreditaram estar se protegendo”, afirmou o delegado responsável pelo inquérito.
A Polícia Civil concluiu o inquérito e indiciou a mulher pelos crimes de exercício ilegal da medicina ou enfermagem, estelionato e perigo para a vida e saúde de outrem. O indiciamento representa um passo importante para a responsabilização. Agora, o inquérito foi encaminhado ao Ministério Público da Bahia (MP-BA), que decidirá se oferece denúncia à Justiça. Caso condenada, a pena pode chegar a vários anos de reclusão.
A Secretaria Municipal de Saúde de Lauro de Freitas reforçou que não realiza vacinação domiciliar sem agendamento e que todas as campanhas oficiais são amplamente divulgadas pelos canais oficiais e pela imprensa local. A orientação é que a população verifique sempre o registro do profissional no Conselho Regional de Enfermagem da Bahia (COREN-BA) antes de receber qualquer procedimento em casa.
“O cidadão pode acessar o site do COREN e confirmar se o profissional está ativo e apto para o exercício da função. Nenhum técnico de enfermagem ou enfermeiro está autorizado a aplicar vacinas fora de uma unidade de saúde ou de uma ação programada pela vigilância sanitária”, explicou o órgão em nota. A recomendação final é que quem recebeu a vacina falsa procure a unidade de saúde mais próxima para regularizar o esquema vacinal e realizar os exames de acompanhamento necessários.