No dia de Santa Bárbara e Iansã, morre Cira do Acarajé
A cidade de Salvador e a cultura baiana perderam um de seus maiores ícones. Cira do Acarajé, conhecida por sua dedicação e pelo sabor inconfundível de seus acarajés, faleceu nesta quarta-feira, 4 de dezembro, dia consagrado a Santa Bárbara e Iansã.
Cira era muito mais que uma quituteira; ela era uma guardiã da tradição culinária afro-brasileira. O acarajé, símbolo da identidade baiana, ganhava ainda mais significado nas mãos de Dona Cira. Por décadas, seu tabuleiro foi ponto de encontro e referência em Salvador, tornando-se parte da memória afetiva da cidade.
A notícia de sua morte, justamente no dia do orixá Iansã – para quem o acarajé é oferecido como alimento sagrado –, foi recebida com grande comoção e um sentimento de espiritualidade por parte de amigos, clientes e admiradores. A sincronicidade de sua partida no dia da orixá e da santa católica emocionou e chamou a atenção de todos, simbolizando uma conexão espiritual profunda com sua fé.
Nas redes sociais, a comoção foi grande. Amigos, clientes e figuras públicas prestaram homenagens, lembrando de sua história e legado. A data de sua partida, carregada de simbolismo, fez com que muitos enxergassem uma beleza mística em seu adeus. Sua barraca não era apenas um local de venda de comida, mas um espaço de resistência cultural, onde se ouvia histórias, músicas e se preservava o axé.
A Rádio Panorama FM 87,9 se solidariza com a família, amigos e admiradores de Cira, celebrando sua vida e o imenso legado cultural que ela deixa para a Bahia. Que Santa Bárbara e Iansã a recebam com a dignidade que ela merece. Descanse em paz, Cira do Acarajé.