A greve dos rodoviários em Salvador completa mais um dia sem perspectiva de solução. A nova rodada de negociação, realizada na sede do Ministério Público do Trabalho (MPT), terminou sem acordo entre a categoria e os empresários do setor. Com isso, a paralisação dos ônibus segue mantida por tempo indeterminado.
Durante a reunião, o Sindicato dos Rodoviários manteve a pauta de reivindicações, que inclui reposição salarial e melhores condições de trabalho. Os trabalhadores pedem um reajuste salarial de 10%, além da manutenção do ticket refeição e do plano de saúde. Já o Sindicato das Empresas de Transporte Público de Salvador (SETPS) apresentou uma contraproposta considerada insuficiente pelos rodoviários. A mediação do MPT não foi suficiente para aproximar as partes.
A população de Salvador amanheceu mais uma vez com dificuldades para se locomover. As estações de transbordo na Lapa, Pirajá e Água de Meninos registraram grande aglomeração. Usuários relatam espera de mais de duas horas para conseguir embarcar. A prefeitura disponibilizou frota extra de ônibus circulares e vans, mas a medida não foi capaz de suprir a demanda. A população enfrenta dificuldades para chegar a hospitais, escolas e ao trabalho. Muitos recorrem a transportes alternativos como mototáxis e vans particulares, que elevam os preços em momentos de crise.
O movimento grevista já provoca impactos no comércio e na prestação de serviços, com aumento do número de faltas e atrasos. A categoria promete manter a greve até que as negociações avancem. A expectativa é que o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) se manifeste nos próximos dias sobre a legalidade da paralisação e possíveis multas. Uma nova assembleia da categoria está prevista para discutir os rumos do movimento.
A situação expõe mais uma vez a crise do transporte público em Salvador e região metropolitana. Historicamente, as negociações entre rodoviários e empresários em Salvador são complexas. Greves frequentes marcam a data-base da categoria, e a Justiça do Trabalho frequentemente é acionada para determinar percentuais de reajuste e garantir a prestação de um serviço mínimo durante as paralisações. A frota de ônibus antiga e o valor das passagens são temas constantes de debate entre poder público, empresas e usuários.