A prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) na manhã desta quarta-feira, no âmbito da 23ª fase da Operação Lava Jato, provocou reações imediatas no Palácio do Planalto. O governo avalia os desdobramentos políticos da detenção e já estuda quem será o novo líder do governo no Senado.
Delcídio foi preso preventivamente por determinação do juiz federal Sergio Moro, sob acusação de tentar obstruir as investigações da Lava Jato. O senador é apontado como um dos articuladores de um plano para comprar o silêncio de um ex-diretor da Petrobras preso em Curitiba. A prisão representa um dos episódios mais delicados da crise política que atinge o Planalto.
A detenção acontece em um momento crítico para o governo, que enfrenta dificuldades para aprovar pautas importantes no Congresso Nacional. A ausência de um líder governista no Senado compromete a articulação política e abre espaço para a oposição avançar com pautas como a abertura de processo de impeachment.
Nos bastidores, o Planalto avalia pelo menos três nomes para assumir a liderança no Senado. A escolha deve recair sobre um senador com perfil de diálogo e capacidade de unificar a base aliada, que atualmente reúne partidos com interesses divergentes. A avaliação é de que é necessário anunciar o novo líder o mais breve possível para evitar um vácuo de poder na articulação governista.
A situação é considerada particularmente delicada porque Delcídio não era apenas o líder do governo: ele também era um dos principais articuladores políticos da presidente Dilma Rousseff no Senado. Sua saída repentina deixa uma lacuna que precisa ser preenchida com urgência.
A oposição já anunciou que deve cobrar explicações do governo sobre o caso e promete usar o episódio para reforçar as críticas à gestão petista. Parlamentares de partidos como PSDB e DEM classificaram a prisão como "mais um capítulo da crise ética que assola o país".
O governo, por sua vez, tenta minimizar os danos. Ministros próximos à presidente afirmam que a escolha do novo líder será feita com base no perfil técnico e político, e que o Planalto mantém condições de aprovar sua agenda legislativa. A crise se agrava em um momento em que o governo enfrenta desafios para aprovar o ajuste fiscal e medidas de contenção de gastos.
Nos próximos dias, a expectativa é que o governo anuncie oficialmente o substituto de Delcídio. Enquanto isso, a base aliada se reúne para discutir estratégias e tentar conter os efeitos da crise. O desfecho deste episódio será determinante para a capacidade de articulação do Planalto nos próximos meses.