Polícia investiga dono de bar por suposta câmera instalada em banheiro feminino, em Salvador

A Polícia Civil da Bahia, por meio da Delegacia de Repressão a Crimes Contra a Dignidade Sexual, instaurou inquérito para apurar a denúncia de que uma câmera de vídeo teria sido instalada de forma oculta no banheiro feminino de um bar localizado em Salvador. O caso ganhou repercussão após frequentadoras do estabelecimento relatarem a descoberta do equipamento.

De acordo com informações iniciais, uma cliente teria notado um objeto suspeito no teto do banheiro e, ao verificar mais de perto, constatou que se tratava de uma câmera de pequeno porte, possivelmente conectada a um sistema de gravação. Imediatamente, a mulher acionou a polícia e registrou boletim de ocorrência.

Agentes estiveram no local e apreenderam o dispositivo, que será submetido a perícia para determinar se estava em funcionamento e se havia armazenamento ou transmissão das imagens. O proprietário do bar foi identificado e presta depoimento como investigado. A polícia não descarta a possibilidade de que outras vítimas possam ter sido gravadas sem consentimento.

A instalação de câmeras em ambientes íntimos, como banheiros e provadores, configura crime de violação de intimidade, previsto no artigo 216-A do Código Penal Brasileiro, com pena de detenção de 3 meses a 1 ano, além de multa. Se for constatado que as imagens foram divulgadas ou usadas para fins lucrativos, a pena pode ser aumentada.

Casos como este acendem um alerta sobre a privacidade em espaços públicos e semipúblicos. Especialistas recomendam que clientes fiquem atentos a objetos suspeitos, como pequenos orifícios, fios aparentes ou dispositivos incomuns em tetos, tomadas e espelhos. Em caso de suspeita, a orientação é sair do local e acionar a polícia imediatamente.

A delegacia responsável pelo caso segue com as diligências para esclarecer os fatos. O bar, que não teve seu nome divulgado, pode responder administrativamente e ter o alvará cassado caso seja comprovada a participação ou conivência dos proprietários.

Com o avanço da tecnologia, câmeras cada vez menores e mais fáceis de esconder têm sido utilizadas para violar a privacidade de pessoas em banheiros, provadores e quartos de hotel. A polícia orienta que estabelecimentos realizem vistorias periódicas e que os clientes denunciem qualquer atividade suspeita.

A sociedade civil cobra legislação mais rigorosa para coibir esse tipo de prática, que causa danos psicológicos profundos às vítimas. Projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional preveem penas mais severas para a instalação de câmeras ocultas e a divulgação não autorizada de imagens íntimas.

A descoberta causou indignação entre frequentadores e moradores da região. Muitos apoiaram a vítima e cobram providências rápidas. A associação comercial local também repudiou qualquer ato de violação de privacidade.

Casos de câmeras ocultas em banheiros têm sido registrados em diversas cidades brasileiras. A repetição desses incidentes reforça a necessidade de fiscalização e de campanhas de conscientização para clientes e proprietários.

O que diz a lei

O artigo 216-A do Código Penal Brasileiro, incluído pela Lei 13.772/2018, tipifica o ato de produzir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio, conteúdo com cena de nudez ou ato sexual ou libidinoso, de caráter íntimo e privado, sem autorização dos participantes. A pena é de detenção de 6 meses a 1 ano, e multa. No caso da instalação de câmera para captar imagens de pessoas em situação íntima, o enquadramento pode ser esse, além do crime de violação de intimidade. É importante que as vítimas procurem a delegacia da mulher ou a delegacia especializada para registro da ocorrência.

Como se proteger

  • Ao entrar em um banheiro público ou provador, examine o ambiente em busca de objetos estranhos, especialmente no teto, atrás de espelhos, tomadas e lustres.
  • Desconfie de fios aparentes ou pequenos orifícios que não fazem parte da estrutura.
  • Se encontrar algo suspeito, não toque, saia do local e chame a polícia.
  • Estabelecimentos devem realizar inspeções regulares para garantir a segurança e privacidade dos clientes.

Perguntas frequentes

O que fazer se encontrar uma câmera oculta em um banheiro?

Mantenha a calma, saia do ambiente e acione a polícia. Não toque no dispositivo para não comprometer as provas. Registre um boletim de ocorrência e, se possível, fotografe o equipamento de forma segura.

Qual a pena para quem instala câmera escondida?

O crime de violação de intimidade (art. 216-A do CP) prevê detenção de 3 meses a 1 ano e multa. A pena pode ser aumentada se houver divulgação das imagens ou se a vítima for vulnerável.

O proprietário do bar pode ser responsabilizado?

Sim, se ficar comprovado que ele tinha conhecimento ou participação na instalação, poderá responder criminalmente e ainda sofrer sanções administrativas, como multa e cassação do alvará de funcionamento.

Como as vítimas podem buscar indenização?

Além da via criminal, as vítimas podem ingressar com ação de danos morais e materiais contra o estabelecimento e os responsáveis. É recomendável procurar um advogado especializado.

O caso segue sob investigação e novas informações poderão ser divulgadas pela polícia nos próximos dias. A Rádio Panorama FM 87,9 acompanha o desdobramento dos fatos.