Policiais civis paralisam atividades por 24h, diz sindicato; categoria pede melhores condições de trabalho por causa da Covid-19
O Sindicato dos Policiais Civis do Estado da Bahia (Sindpoc/BA) anunciou uma paralisação de 24 horas da categoria, prevista para esta semana. A decisão foi tomada em assembleia realizada na última segunda-feira, quando os profissionais reivindicaram melhores condições de trabalho e medidas de proteção contra a Covid-19. A assembleia contou com representantes de diversas regiões do estado, demonstrando a insatisfação generalizada da categoria.
De acordo com o sindicato, a pandemia expôs ainda mais as fragilidades enfrentadas pelos policiais civis, que atuam na linha de frente sem equipamentos de proteção individual (EPIs) adequados. Muitos policiais relataram que precisaram comprar seus próprios equipamentos, como máscaras e álcool em gel, diante da falta de fornecimento por parte do estado. A falta de testagem em massa e a sobrecarga de trabalho também são queixas recorrentes.
O Sindpoc/BA destaca que, desde o início da pandemia, dezenas de policiais civis foram afastados por suspeita ou confirmação de Covid-19. Segundo a entidade, o número de afastamentos superou a capacidade de reposição, obrigando os profissionais que permanecem em atividade a dobrar turnos. A sobrecarga física e emocional tem sido apontada como um dos principais fatores de adoecimento da categoria.
Durante a paralisação, apenas os serviços essenciais serão mantidos, como plantões e atendimento a flagrantes. As delegacias poderão fechar as portas para o público, mas as ocorrências de urgência continuarão sendo atendidas. As delegacias especializadas, como as de atendimento à mulher e ao idoso, também terão plantão reduzido mas funcionarão. A orientação para a população é que, em caso de emergência, liguem para o 190, que continua operando normalmente pela Polícia Militar.
A categoria espera que a mobilização sensibilize o governo estadual para abrir negociações. Além das condições sanitárias, os policiais civis pedem valorização profissional, com reajuste salarial e melhoria na infraestrutura das unidades. O sindicato afirma que a categoria está há anos sem avanços significativos. A defasagem salarial é um dos pontos mais críticos: segundo o sindicato, os vencimentos dos policiais civis baianos estão entre os mais baixos do país, o que desestimula a carreira e provoca evasão de profissionais para outras áreas.
A categoria também reclama da falta de diálogo com o governo estadual. As negociações por melhores condições estão paradas há meses, segundo o sindicato. O governo estadual, por sua vez, alega dificuldades orçamentárias, mas o sindicato rebate que a segurança pública é prioridade e que recursos podem ser realocados. A paralisação de 24 horas é uma forma de pressionar as autoridades a retomarem as conversas.
Em nota, o Sindicato dos Policiais Civis informou que a mobilização não afetará ocorrências graves, como homicídios e prisões em flagrante. A população pode buscar as delegacias normalmente, mas com possível redução no atendimento. A orientação é que, sempre que possível, os cidadãos utilizem canais online para registrar ocorrências de menor potencial ofensivo.
O governo do estado ainda não se pronunciou oficialmente sobre a paralisação. A Secretaria de Segurança Pública foi procurada, mas não respondeu até o fechamento desta matéria. A SSP-BA informou que está avaliando as demandas da categoria, mas não detalhou nenhuma proposta concreta.
A paralisação dos policiais civis ocorre em um momento crítico para a segurança pública na Bahia, com índices de criminalidade elevados. A categoria espera que a mobilização sirva de alerta para a necessidade de investimentos no setor.
Principais reivindicações
- Equipamentos de proteção: fornecimento regular de máscaras, luvas, álcool em gel e outros EPIs adequados ao trabalho policial durante a pandemia.
- Testagem em massa: acesso a testes rápidos de Covid-19 para todos os profissionais da segurança pública.
- Reajuste salarial: reposição das perdas inflacionárias e valorização da carreira policial civil.
- Melhoria na infraestrutura: reforma e modernização das delegacias, muitas das quais operam em condições insalubres.
- Contratação de pessoal: realização de concurso público para recompor o efetivo reduzido.
Contexto nacional
A paralisação dos policiais civis da Bahia não é um fato isolado. Em vários estados brasileiros, a categoria vem realizando protestos e paralisações para chamar atenção para a precarização do trabalho policial. No Rio de Janeiro, em São Paulo, em Minas Gerais e em outros estados, os sindicatos têm denunciado a falta de investimento e o descaso com a segurança pública. A pandemia de Covid-19 agravou ainda mais esse cenário, expondo a fragilidade do sistema.
A Rádio Panorama FM 87,9 continuará acompanhando o desdobramento desse movimento e trará novas informações assim que estiverem disponíveis.