Por 6 votos a 5, STF considera inconstitucional o orçamento secreto
O Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu o julgamento que considerou inconstitucional o mecanismo conhecido como "orçamento secreto". Por 6 votos a 5, a Corte entendeu que as emendas do relator (RP9) ferem os princípios constitucionais da publicidade, transparência e impessoalidade.
O orçamento secreto surgiu em 2019 como uma modalidade de emenda parlamentar sem identificação individual dos autores, permitindo a distribuição de recursos por meio de negociações políticas sem transparência. O modelo foi alvo de críticas de órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União (TCU), e de entidades da sociedade civil.
A relatora do caso, ministra Rosa Weber, votou pela inconstitucionalidade, sendo acompanhada por outros cinco ministros. Os ministros divergentes argumentaram que a decisão judicial poderia invadir a competência do Legislativo e causar insegurança jurídica.
Com a decisão, o Congresso Nacional deverá ajustar as regras das emendas parlamentares para atender aos requisitos de transparência. O STF também modulou os efeitos para preservar a segurança jurídica dos recursos já empenhados, garantindo que a decisão se aplique às futuras dotações.
Especialistas em direito público consideram a decisão um avanço para a transparência fiscal e o controle social dos gastos públicos. O julgamento reforça a necessidade de identificação clara dos autores e do objeto das emendas, fortalecendo o princípio da publicidade na administração pública.
O orçamento secreto chegou a movimentar bilhões de reais nos últimos anos, com distribuição muitas vezes opaca. A decisão do STF representa um marco na relação entre os Poderes e na forma como o dinheiro público é destinado.
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