Produção de energia via biomassa pode crescer até 15% em 2015
A produção de energia elétrica a partir da biomassa sempre foi um dos destaques da matriz energética brasileira. Em 2015, o setor se preparava para um salto significativo, com projeções indicando um crescimento de até 15% na geração, impulsionado principalmente pelo avanço da co-geração nas usinas de açúcar e etanol.
O potencial energético da biomassa no Brasil
O Brasil possui uma das matrizes energéticas mais renováveis do mundo, e a biomassa ocupa um lugar de destaque. Proveniente de matérias orgânicas como o bagaço da cana-de-açúcar, a casca de arroz, os resíduos florestais e o biogás, essa fonte de energia é capaz de gerar eletricidade de forma limpa e eficiente. Em 2015, o país já figurava entre os líderes mundiais no uso da biomassa para geração termelétrica, e a expectativa de um crescimento de 15% reforçava essa posição. A expansão era vista como fundamental para diversificar a matriz elétrica e reduzir a dependência das hidrelétricas, especialmente em períodos de estiagem prolongada que afetavam os reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste.
Fatores que impulsionavam o crescimento em 2015
Diversos fatores contribuíam para a projeção otimista de 2015. O principal deles era o avanço do setor sucroenergético, com a instalação de novas usinas de açúcar e etanol equipadas com sistemas de co-geração. Essas unidades utilizam o bagaço da cana para produzir energia elétrica, que é consumida na própria usina e o excedente é vendido para a rede de distribuição. Além disso, o aumento da eficiência dos equipamentos e o desenvolvimento de novas tecnologias para o aproveitamento da palha da cana (que antes era queimada ou deixada no campo) também contribuíam para o crescimento projetado. Leilões de energia de reserva realizados pelo governo federal, que contrataram energia de termelétricas a biomassa, forneciam o ambiente de negócios necessário para os investimentos.
Benefícios estratégicos e desafios do setor
A geração de energia via biomassa oferece uma série de vantagens estratégicas para o Brasil. A principal delas é a complementaridade sazonal com a geração hidrelétrica. A safra da cana-de-açúcar no Centro-Sul ocorre entre maio e novembro, justamente o período de menor incidência de chuvas na região. Isso permite que as termelétricas a biomassa gerem energia justamente quando as hidrelétricas estão com seus reservatórios baixos, ajudando a garantir o abastecimento sem a necessidade de acionar usinas termelétricas movidas a combustíveis fósseis, que são mais caras e poluentes. No entanto, o setor ainda enfrentava desafios em 2015, como a necessidade de aprimorar a logística de coleta e armazenamento da biomassa, a sazonalidade da operação (as usinas só operam durante a safra) e a busca por maior eficiência nos processos de conversão. Apesar desses desafios, a perspectiva de crescimento de 15% era um indicativo claro do enorme potencial da biomassa na matriz elétrica nacional e de sua importância para a sustentabilidade do país.