Professor do BDM continuava dando ordens de presídio em Juazeiro e é transferido

Mesmo encarcerado no presídio de Juazeiro, um detento conhecido como “Professor do BDM” continuava a articular crimes do lado de dentro da unidade. A situação levou as autoridades a transferi-lo para um presídio de segurança máxima, em uma operação realizada nos últimos dias.

O apelido “Professor” se deve ao fato de o suspeito ser considerado um dos mentores do BDM, uma facção criminosa com atuação na Bahia e em outros estados. De acordo com informações da polícia, ele utilizava aparelhos celulares para manter contato com comparsas e ordenar assaltos, tráfico de drogas e ataques a grupos rivais.

O BDM é uma das facções criminosas de maior capilaridade na Bahia, com ramificações em estados vizinhos como Sergipe e Alagoas. A organização atua principalmente no tráfico de drogas, roubos a bancos e homicídios, mantendo uma estrutura hierarquizada que facilita o comando mesmo quando líderes estão encarcerados. O “Professor” era apontado como um dos principais estrategistas do grupo, responsável por coordenar ações em diferentes regiões do estado e por estabelecer alianças com outras facções em disputa territorial.

As investigações tiveram início após denúncias anônimas e monitoramento da inteligência penitenciária. Foram coletadas provas de que o detento continuava a exercer liderança mesmo atrás das grades, desrespeitando as regras do sistema prisional. A polícia penal identificou o esquema de comunicação e mapeou os principais auxiliares do criminoso que ainda estavam em liberdade.

A descoberta do esquema de comunicação motivou a administração penitenciária a reforçar as revistas nas celas e a ampliar o uso de bloqueadores de sinal. Apesar dos esforços, especialistas apontam que a entrada de aparelhos celulares continua sendo um dos maiores desafios do sistema prisional brasileiro, permitindo que detentos mantenham contato com o mundo exterior. No caso do “Professor”, a interceptação de mensagens de texto e ligações foi decisiva para comprovar sua participação ativa no comando da facção, resultando na transferência para uma unidade mais segura.

A transferência foi autorizada pela Vara de Execuções Penais e executada por agentes penitenciários com apoio de equipes táticas. O preso foi levado para uma unidade em Feira de Santana, onde ficará em regime disciplinar diferenciado (RDD), com isolamento e vigilância reforçada. A medida visa cortar qualquer possibilidade de contato com a facção.

No âmbito do RDD, o preso permanece em cela individual, com visitas restritas a duas horas semanais e banho de sol de até duas horas diárias, sob monitoramento constante de câmeras. O regime é previsto na Lei de Execução Penal e aplicado a detentos de alta periculosidade que integram organizações criminosas. A transferência do “Professor” para a unidade de Feira de Santana, equipada para o RDD, representa uma tentativa de neutralizar a cúpula do BDM.

A ação representa um duro golpe contra o BDM, interrompendo a comunicação direta entre um de seus líderes e a base operacional. A desarticulação da cúpula da facção é uma prioridade das forças de segurança, que seguem investigando outros líderes presos ou em liberdade. A Secretaria de Segurança Pública afirmou que continuará monitorando outros detentos que ainda tentam comandar o crime organizado de dentro do sistema prisional. A população de Juazeiro e região pode contribuir com denúncias anônimas por meio do disque-denúncia.

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