A atriz Regina Duarte deixou o comando da Secretaria de Cultura do governo Jair Bolsonaro após um curto período no cargo, marcado por cortes orçamentários e divergências sobre a condução das políticas culturais do país.
Nomeada em maio de 2020 para substituir Roberto Alvim, Regina Duarte assumiu a pasta em um contexto difícil: a pandemia de Covid-19 já afetava severamente o setor cultural, e o orçamento destinado à área havia sido reduzido. A atriz, conhecida por seus papéis na TV Globo, tentou estabelecer pontes com artistas e produtores, mas enfrentou resistência tanto de setores do governo quanto de parte da classe artística.
Entre os principais pontos de atrito estavam a liberação de recursos da Lei Aldir Blanc, que previa auxílio emergencial para trabalhadores da cultura, e a política de editais. A falta de autonomia da Secretaria, vinculada ao Ministério do Turismo, também foi um fator que dificultou sua gestão.
A saída de Regina Duarte ocorreu em meio a insatisfações com os rumos da política cultural. Após sua saída, o governo optou por incorporar a Secretaria de Cultura ao Ministério do Turismo, extinguindo o status de secretaria especial. A medida foi interpretada por muitos como um enfraquecimento do setor.
Regina Duarte retornou então à sua carreira artística, participando de novos projetos e eventos, mas deixou marcada sua passagem relâmpago pela administração pública.
Todo o episódio reforçou as constantes mudanças na política cultural brasileira durante o governo Bolsonaro, que teve quatro secretários em pouco mais de dois anos.