Regina Duarte toma posse e diz que buscará ‘pacificação e diálogo permanente’ com o setor cultural

A atriz Regina Duarte tomou posse na tarde desta terça-feira como nova titular da Secretaria de Cultura, em cerimônia realizada em Brasília. Em seu discurso de posse, a ex-secretária especial da Cultura do governo Bolsonaro afirmou que seu mandato será pautado pela busca da “pacificacão” e pelo “diálogo permanente” com o setor cultural, prometendo ouvir artistas, produtores e demais agentes do segmento. A declaração marca um tom conciliatório após anos de embates acalorados entre a classe artística e as gestões anteriores da pasta.

Quem é Regina Duarte

Regina Duarte, conhecida nacionalmente por seu trabalho em novelas como “Selva de Pedra”, “Roque Santeiro” e “Vale Tudo”, é uma das figuras mais icônicas da televisão brasileira. Sua carreira artística, no entanto, sempre se entrelaçou com posicionamentos políticos. Em 2020, aceitou o convite do presidente Jair Bolsonaro para assumir a Secretaria Especial da Cultura, cargo que ocupou por menos de um ano. Sua passagem foi marcada por intensa polarização e críticas de movimentos culturais. Agora, em uma nova fase, Regina retorna ao comando da pasta com um discurso visivelmente distinto, focado na união e no diálogo.

O discurso de posse: “Pacificacão e diálogo permanente”

“Chego aqui com o espírito de quem quer somar, de quem quer construir pontes”, afirmou Regina durante seu discurso. “O momento do Brasil exige pacificação. Não podemos mais conviver com a ideia de que o setor cultural está dividido entre 'nós' e 'eles'. Meu compromisso é com o diálogo permanente, ouvindo todas as vozes, desde os grandes nomes da produção audiovisual até os pequenos grupos de teatro comunitário.” Ela também destacou a importância da retomada dos investimentos e do fortalecimento das leis de incentivo à cultura.

Reações e repercussão

A fala de Regina Duarte gerou recepção mista. Enquanto alguns setores mais moderados do meio artístico veem com bons olhos a abertura para o diálogo, movimentos culturais ligados a coletivos de esquerda expressaram ceticismo. “As cicatrizes são profundas, mas qualquer gesto de boa vontade deve ser avaliado pelo que ele produzirá na prática”, comentou um produtor cultural presente na cerimônia. Associações de classe, como a APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), aguardam os primeiros passos concretos da nova gestão.

Desafios da nova gestão

A nova secretária herda uma pasta com orçamento enxuto e a missão de reconstruir pontes com um setor que se sentiu desamparado nos últimos anos. Entre os principais desafios estão a recomposição do Fundo Nacional da Cultura (FNC), a agilização de projetos parados na Lei Rouanet e a retomada de editais federais. A promessa de “pacificação” e “diálogo permanente” será testada na capacidade de implementar políticas públicas que atendam à diversidade cultural brasileira.

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