Escolas de samba do Rio descartam desfilar no carnaval de 2021 sem vacina contra Covid-19

Em uma decisão histórica anunciada nesta terça-feira, 14 de julho de 2020, as agremiações do Grupo Especial do Rio de Janeiro afirmaram que não irão desfilar no Carnaval de 2021 caso não haja uma vacina disponível contra a Covid-19. A declaração conjunta foi motivada pela incerteza em torno da pandemia do novo coronavírus, que já havia paralisado o mundo e gerado dúvidas sobre a realização de grandes eventos.

Representantes da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro) enfatizaram que a saúde dos foliões, artistas e trabalhadores envolvidos na festa era a prioridade absoluta naquele momento. O posicionamento foi firme: sem a comprovação científica de uma vacina eficaz e amplamente disponível, não haveria condições sanitárias mínimas para os preparativos e para a realização dos desfiles, que costumam reunir milhões de pessoas na Sapucaí e nas ruas da cidade.

A decisão das escolas de samba cariocas representou um duro golpe financeiro para as agremiações, que dependem dos ensaios e do desfile para grande parte de sua receita anual. A prefeitura do Rio, que já enfrentava desafios orçamentários agravados pela pandemia, também viu adiada a expectativa de movimentação turística que o Carnaval proporciona. Além disso, o anúncio teve um efeito dominó em todo o calendário cultural do país, com prefeituras de diversas cidades passando a seguir a mesma linha de cautela.

O anúncio de julho de 2020 entrou para a história como um dos momentos mais emblemáticos da relação entre cultura e saúde pública no Brasil. Mais do que uma simples decisão logística, foi um ato de responsabilidade coletiva, reconhecendo que a festa, por mais importante que seja para a identidade nacional, não poderia acontecer diante de uma ameaça sanitária de tamanha proporção. O cancelamento oficial veio meses depois, mas a semente foi plantada naquela terça-feira de julho.