Trabalho doméstico afeta mais meninas em 9 países, mostra pesquisa
Uma pesquisa internacional sobre trabalho infantil e doméstico revelou um dado preocupante: meninas são as principais vítimas da sobrecarga de tarefas não remuneradas em nove países analisados. O estudo, baseado em dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do UNICEF, mostra como essa realidade compromete a educação e o futuro de milhões de crianças.
O que diz a pesquisa
De acordo com o levantamento, em todos os países estudados, as meninas dedicam muito mais horas a tarefas como cozinhar, limpar e cuidar de irmãos do que os meninos. Em alguns casos, a diferença na carga horária ultrapassa os 50%, reduzindo drasticamente o tempo para estudar e brincar.
Países analisados
As regiões mais afetadas incluem países da África Subsaariana, Sul da Ásia e América Latina. A pesquisa também cita o Brasil como um exemplo onde a desigualdade de gênero no lar começa cedo, especialmente nas áreas rurais e periferias.
Consequências para as meninas
A sobrecarga de trabalho doméstico é uma das principais causas de evasão escolar entre as meninas. Sem estudos, elas ficam mais vulneráveis à pobreza e à falta de oportunidades. Além disso, o acúmulo de funções acarreta riscos à saúde mental, como estresse e ansiedade.
Caminhos para a mudança
Especialistas ouvidos pela pesquisa defendem a criação de políticas públicas que incentivem a divisão igualitária das tarefas domésticas, a ampliação de creches e escolas de tempo integral, e campanhas de conscientização nas comunidades. No Brasil, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) protege contra o trabalho infantil, mas a fiscalização precisa ser mais efetiva para garantir os direitos das meninas.