Três anos após naufrágio que matou 19 pessoas em Mar Grande, sobreviventes e familiares de vítimas aguardam indenização

Três anos após o trágico naufrágio ocorrido na travessia Mar Grande–Salvador, que vitimou 19 pessoas e deix dezenas de feridos, os sobreviventes e familiares das vítimas ainda aguardam o pagamento das indenizações judiciais. O acidente, ocorrido em um domingo de março, chocou a Bahia e levantou questões sobre a segurança do transporte marítimo na região.

O acidente

A embarcação que fazia a rota entre Salvador e a Ilha de Itaparica naufragou próximo ao porto de Mar Grande, em Lauro de Freitas. Testemunhas relataram que o barco estava superlotado e que faltavam coletes salva-vidas em quantidade suficiente para todos. Em poucos minutos, a embarcação virou, deixando passageiros ilhados na água. Pescadores locais e embarcações de apoio atuaram no resgate, mas 19 pessoas perderam a vida.

Investigação e causas

As investigações conduzidas pela Marinha do Brasil e pela Polícia Federal apontaram excesso de passageiros e falhas mecânicas como fatores determinantes. Laudos periciais indicaram que o barco não tinha condições de navegar com a lotação máxima e que o sistema de estabilidade apresentava problemas. A empresa responsável pela travessia sempre negou responsabilidade, mas as evidências colhidas ao longo do inquérito reforçaram a tese de negligência.

A luta na Justiça

A Defensoria Pública da União (DPU) ingressou com uma ação civil coletiva pedindo indenização por danos morais, materiais e estéticos para todos os afetados. O valor total da causa supera a casa dos milhões de reais. As famílias das vítimas também entraram com ações individuais. Até o momento, nenhum valor foi pago, e o processo tramita na Justiça Federal. Novas audiências foram marcadas, mas não há previsão de conclusão.

O drama dos familiares e sobreviventes

Muitos parentes perderam o provedor do lar e enfrentam dificuldades financeiras. Além da dor da perda, a demora na solução judicial agrava o sofrimento. Em protestos realizados em Mar Grande e Salvador, eles cobram agilidade do Judiciário e responsabilização da empresa. “Queremos justiça e que ninguém passe por isso novamente”, afirmou uma mãe que perdeu o filho no naufrágio.

Legado e segurança

Nos três anos que se passaram, o terminal de Mar Grande passou por algumas melhorias, como a instalação de novos equipamentos de segurança e a intensificação das fiscalizações. Entretanto, moradores e usuários da travessia ainda relatam irregularidades. O caso serve como alerta para a importância de manter rígidos padrões de segurança no transporte aquaviário, especialmente em rotas de grande movimento como a ligação Salvador–Ilha de Itaparica.

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