Três homens viram réus pela morte do congolês Moïse
O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou três homens pela morte do congolês Moïse Kabagambe, ocorrida em 24 de janeiro de 2022, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. A Justiça aceitou a denúncia por homicídio qualificado, tornando os acusados réus. O caso, que teve ampla repercussão, agora segue para a fase de instrução processual.
Moïse Kabagambe tinha 24 anos e era natural da República Democrática do Congo. Refugiado no Brasil desde 2011, ele trabalhava como vendedor ambulante na orla da Barra e também atuava como atendente em quiosques. No dia do crime, foi cobrar o pagamento de dois dias de trabalho e acabou sendo brutalmente agredido por um grupo de pessoas.
Imagens de câmeras de segurança flagraram parte da ação. Moïse foi espancado com paus e barras de ferro, sofrendo múltiplos traumatismos. A violência foi tamanha que ele não resistiu aos ferimentos e morreu no local. O laudo pericial confirmou traumatismo cranioencefálico e torácico como causa da morte.
O Ministério Público apresentou denúncia contra três suspeitos, apontando a participação de cada um na agressão. A Justiça acatou a denúncia, decretou a prisão preventiva dos acusados e agora eles respondem como réus por homicídio qualificado. A defesa ainda não apresentou resposta formal à acusação.
O crime gerou forte comoção popular e provocou manifestações em diversas cidades brasileiras contra o racismo e a xenofobia. Entidades de defesa dos direitos humanos e organizações de imigrantes acompanham o processo e cobram justiça. A embaixada da República Democrática do Congo também manifestou consternação.
O caso Moïse Kabagambe expõe a vulnerabilidade de imigrantes e refugiados no Brasil. O debate sobre acolhimento e combate à xenofobia ganhou novo impulso. A expectativa é de que o julgamento dos réus ocorra nos próximos meses, após a conclusão da instrução.
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