Vacina de Oxford para Covid-19 induz resposta imune, anunciam cientistas

A vacina candidata contra a Covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca induziu uma resposta imune robusta em voluntários, de acordo com resultados divulgados nesta segunda-feira (20). O estudo, publicado na prestigiada revista The Lancet, mostrou que a vacina é segura, bem tolerada e gera tanto anticorpos neutralizantes quanto resposta de células T – dois pilares da defesa do organismo contra o novo coronavírus.

Desde o início da pandemia, a comunidade científica global corre contra o tempo para desenvolver imunizantes eficazes contra a Covid-19. A vacina de Oxford, conhecida como ChAdOx1 nCoV-19 (AZD1222), foi uma das primeiras a entrar em testes com humanos. O estudo de fase I/II trouxe esperança ao demonstrar que uma única dose da vacina é capaz de estimular o sistema imunológico de forma significativa.

Como funciona a vacina de Oxford?

A ChAdOx1 nCoV-19 utiliza um vetor viral baseado em um adenovírus de chimpanzé (ChAdOx1) modificado para carregar o gene da proteína S (spike) do SARS-CoV-2. Essa proteína é a principal responsável pela entrada do vírus nas células humanas. Ao ser injetada, a vacina induz o organismo a produzir a proteína S, desencadeando uma resposta imune sem causar a doença. Se o vacinado entrar em contato com o vírus real, seu sistema imunológico estará preparado para reconhecê-lo e combatê-lo.

Essa tecnologia de vetor viral já é utilizada em outras vacinas e tem a vantagem de estimular fortemente a imunidade celular, além da humoral. Os resultados do estudo indicam que a vacina de Oxford é capaz de gerar altos níveis de anticorpos neutralizantes e uma ampla resposta de células T, que podem atacar células infectadas.

Resultados do estudo de fase I/II

O ensaio clínico envolveu 1.077 voluntários saudáveis com idades entre 18 e 55 anos, divididos em grupos que receberam a vacina ou um placebo (vacina meningocócica). Os participantes foram acompanhados por cerca de dois meses. Os principais achados incluem:

  • Indução de anticorpos neutralizantes contra o SARS-CoV-2 na maioria dos voluntários vacinados;
  • Resposta robusta de células T, medida pela produção de interferon-gama;
  • Perfil de segurança aceitável, com efeitos colaterais leves a moderados, como febre, fadiga, dor de cabeça e dor no local da injeção;
  • Nenhum evento adverso grave relacionado à vacina foi registrado.

Os cientistas destacaram que a resposta imune observada é comparável à de pacientes que se recuperaram da Covid-19, o que sugere que a vacina pode ser eficaz na prevenção da doença. No entanto, ressaltaram que são necessários mais estudos para confirmar a eficácia em larga escala.

Próximos passos: fase III e produção no Brasil

Com os resultados positivos da fase I/II, a vacina de Oxford avançou para a fase III, que envolve milhares de voluntários em vários países, incluindo o Reino Unido, os Estados Unidos, o Brasil e a África do Sul. A etapa final busca comprovar a eficácia da vacina em prevenir infecções e reduzir a gravidade da doença.

No Brasil, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) firmou um acordo com a AstraZeneca para a produção local da vacina. O governo brasileiro destinou recursos para a aquisição de insumos e a transferência de tecnologia, com o objetivo de disponibilizar o imunizante à população brasileira a partir de 2021. O país, um dos epicentros da pandemia, aguardava ansiosamente por uma vacina própria.

Pontos-chave sobre a vacina de Oxford

  • Tecnologia: vetor viral não replicante (adenovírus de chimpanzé);
  • Número de doses: esquema de duas doses (intervalo de 28 dias nos testes iniciais);
  • Armazenamento: pode ser mantida em refrigerador comum (2–8 °C), o que facilita a distribuição;
  • Parceria: Universidade de Oxford e AstraZeneca;
  • No Brasil: Fiocruz é parceira para produção e distribuição.

Perguntas frequentes sobre a vacina de Oxford

1. A vacina de Oxford é segura?

Sim. Os dados da fase I/II demonstraram um perfil de segurança aceitável. Os efeitos colaterais mais comuns foram leves a moderados e incluem febre, dor de cabeça, fadiga e dor no local da aplicação. Nenhum evento adverso grave foi atribuído à vacina. A segurança continua sendo monitorada nas fases seguintes.

2. Quanto tempo dura a imunidade?

Ainda não se sabe ao certo. Os estudos de acompanhamento indicam que a resposta imune persistiu por pelo menos dois meses após a vacinação. A duração da proteção será avaliada com o tempo, assim como a necessidade de doses de reforço.

3. A vacina pode causar Covid-19?

Não. A ChAdOx1 nCoV-19 não contém o vírus SARS-CoV-2 inteiro nem material genético capaz de gerar partículas virais infecciosas. Ela usa apenas o gene da proteína S dentro de um vetor viral incapaz de se replicar. Portanto, não há risco de desenvolver a doença a partir da vacina.

4. Quando a vacina estará disponível para a população?

Após a conclusão bem-sucedida da fase III e a aprovação pelas agências reguladoras, a vacina poderá ser distribuída. As projeções iniciais apontavam para o primeiro semestre de 2021. No Brasil, a Fiocruz planejava iniciar a produção local assim que recebesse o insumo farmacêutico ativo (IFA) da China.

Importância para o Brasil e o mundo

A vacina de Oxford representa uma das esperanças mais concretas para o controle da pandemia de Covid-19. Por ser de baixo custo e não necessitar de armazenamento a temperaturas ultrabaixas, ela é especialmente adequada para países com infraestrutura de saúde limitada, como o Brasil. A parceria com a Fiocruz garantiu que o país pudesse produzir milhões de doses, contribuindo para a imunização da população brasileira.

Os cientistas responsáveis pelo estudo alertam, no entanto, que a vacinação deve ser combinada com medidas de saúde pública, como uso de máscaras, distanciamento social e higiene das mãos, até que a imunidade de rebanho seja alcançada.

A notícia de que a vacina de Oxford induz resposta imune foi recebida com otimismo por especialistas e autoridades de saúde em todo o mundo. A transparência dos dados e a rapidez da pesquisa científica oferecem uma luz no fim do túnel para milhões de pessoas afetadas pela pandemia.

Com informações da Universidade de Oxford e da revista The Lancet.

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