Wagner diz que Souto é ‘funcionário empresa de família’
O senador Jaques Wagner (PT) declarou recentemente que o ex-governador Paulo Souto (União Brasil) age como um "funcionário de empresa de família". A afirmação foi feita em um encontro político na Região Metropolitana de Salvador e reacendeu as tensões entre os dois principais grupos políticos da Bahia.
Na visão de Wagner, Souto não teria independência política para representar os interesses da população baiana, estando subordinado aos interesses de um grupo econômico familiar. A declaração faz referência direta à histórica ligação do ex-governador com o "carlismo", movimento político fundado por Antônio Carlos Magalhães (ACM), que dominou a política estadual por décadas.
"Ele não é um representante do povo, é um funcionário de uma empresa de família. Toma decisões pensando no negócio da família, não no cidadão", teria dito Wagner, em tom de crítica à gestão e à postura política de seu adversário.
Paulo Souto foi governador da Bahia por dois mandatos (2003-2006) e é uma das principais lideranças da oposição no estado. Em 2006, foi derrotado por Wagner, que deu início a uma hegemonia do PT na Bahia, que se mantém até os dias atuais. Apesar de não ocupar cargos eletivos no momento, Souto segue como uma figura influente nos bastidores da política baiana, sendo frequentemente consultado pelo grupo carlista.
A declaração de Wagner gerou reações imediatas. A base governista aliada ao senador endossou a fala, enquanto deputados e vereadores da oposição classificaram a declaração como "desrespeitosa" e "típica de quem não tem argumentos para debater propostas".
Políticos ligados a Souto afirmaram que ele sempre teve uma carreira pública dedicada ao estado, sendo um gestor técnico e responsável. "Reduzir a trajetória de Paulo Souto a essa frase infeliz é um equívoco. Ele nunca foi funcionário de ninguém, sempre serviu à Bahia", rebateu um aliado em nota.
O episódio ilustra o nível de polarização na política baiana, especialmente com a aproximação das eleições municipais e estaduais. A rivalidade entre petistas e carlistas deve continuar sendo o principal mote dos embates políticos no estado, com declarações como essa marcando o tom da disputa.