PF prende Mauro Cid e realiza buscas na casa de Bolsonaro

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira uma operação que resultou na prisão de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, e no cumprimento de mandados de busca e apreensão na residência oficial do ex-mandatário, em Brasília. A ação é mais um desdobramento das investigações sobre supostas fraudes em cartões de vacinação contra a Covid-19 e um esquema de venda de joias recebidas de autoridades estrangeiras.

Segundo a Polícia Federal, as medidas cautelares foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Agentes estiveram no condomínio onde Bolsonaro reside, no Setor Militar Urbano, e cumpriram a prisão de Mauro Cid, que já havia sido detido em maio de 2023 acusado de inserir dados falsos de vacinação no sistema do SUS para beneficiar o ex-presidente e sua família.

Mauro Cid é militar reformado e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. Ele é considerado peça-chave para esclarecer as suspeitas de que o ex-presidente teria recebido joias de países como Arábia Saudita e Catar e as vendido nos Estados Unidos, sem declarar aos órgãos fiscais. Cid já firmou um acordo de delação premiada, mas investigações recentes indicam que ele pode ter omitido informações relevantes, motivando a nova fase de apurações.

As investigações apontam que Cid atuava como intermediário na negociação dos itens. Relógios de luxo, canetas e esculturas em ouro teriam sido levados para a Flórida e vendidos em lojas especializadas, com o dinheiro ingressando no Brasil sem os devidos registros. A PF busca agora esclarecer se Bolsonaro tinha conhecimento dessas transações e se houve desvio de bens públicos.

A operação gerou forte repercussão política. Parlamentares da base do governo Lula elogiaram a ação da Polícia Federal, destacando a importância de apurar possíveis ilícitos cometidos por integrantes do governo anterior. Já deputados da oposição criticaram a medida, classificando-a como “perseguição política” e “abuso de autoridade”. O ex-presidente Bolsonaro, por meio de sua assessoria, afirmou que respeita as decisões judiciais, mas que confia na inocência de Cid e na lisura de seus atos.

A defesa de Mauro Cid informou que ainda não teve acesso completo aos autos, mas que pretende colaborar integralmente com a Justiça. Em nota, os advogados afirmaram que “o tenente-coronel sempre esteve à disposição para esclarecer todos os fatos e confia na imparcialidade do Poder Judiciário”. Já o entorno de Bolsonaro classificou a operação como “mais um capítulo de perseguição” e sustentou que não houve irregularidade na aquisição ou destinação de presentes oficiais.

Além da prisão e das buscas na casa de Bolsonaro, a PF cumpriu outros mandados em endereços ligados a Cid e a outros investigados. O material apreendido, incluindo celulares, documentos e computadores, será analisado pelos peritos. As investigações correm sob sigilo e não há prazo para conclusão.

A expectativa é que novos depoimentos e provas possam esclarecer a extensão do esquema e eventuais responsabilidades de outras pessoas próximas ao ex-presidente. Especialistas apontam que, se confirmadas as suspeitas, Bolsonaro pode responder por crimes como peculato, lavagem de dinheiro e associação criminosa, ampliando ainda mais sua exposição na Justiça.