Durante os Jogos Olímpicos Rio 2016, o mundo voltou seus olhos para o Brasil. Enquanto a comunidade internacional se preparava para o evento, uma epidemia do vírus Zika dominava as manchetes. No entanto, um grupo de especialistas em saúde pública e direitos das mulheres fez um alerta urgente: o risco de uma mulher sofrer estupro durante o megaevento era dez vezes maior do que o risco de ser infectada pelo Zika.
A declaração foi baseada em estudos que analisaram o aumento de casos de violência sexual em grandes eventos esportivos e turísticos. De acordo com os pesquisadores, o fluxo intenso de visitantes, a indústria do turismo sexual e a vulnerabilidade social criam um cenário propício para crimes. Em contraste, embora o Zika fosse uma emergência global, as medidas de controle vetorial e prevenção, como o uso de repelentes e mosquiteiros, estavam amplamente disponíveis para atletas e turistas.
"Estamos focando tanto no mosquito, que esquecemos dos predadores humanos", afirmou uma das especialistas envolvidas no estudo. A análise sugeria que campanhas de prevenção à violência sexual e estruturas de apoio às vítimas deveriam receber tanta atenção quanto os protocolos de saúde contra o Zika.
A comparação chocou a opinião pública e gerou debates sobre as prioridades das políticas públicas durante eventos de grande porte. Organizações não governamentais pressionaram o Comitê Olímpico Internacional e o governo brasileiro para garantir a segurança de mulheres e crianças.
Anos depois, o alerta serve como um lembrete sombrio de que a segurança pública e a proteção dos direitos humanos são tão vitais quanto a saúde sanitária em eventos globais. A Rio 2016 deixou um legado esportivo, mas também a lição de que o combate à violência precisa estar no centro dos preparativos para qualquer grande celebração.