Senadores afirmaram que Trump pressionou o vice Mike Pence para reverter o resultado das eleições

Senadores afirmaram que Donald Trump pressionou o vice-presidente Mike Pence para reverter o resultado das eleições presidenciais de 2020, conforme revelaram depoimentos e documentos da comissão da Câmara que investigou os ataques de 6 de janeiro de 2021.

Testemunhas disseram que Trump ligou para Pence várias vezes nos dias anteriores à certificação dos votos do Colégio Eleitoral, exigindo que ele rejeitasse os resultados dos estados considerados decisivos. Pence, porém, recusou-se a ultrapassar seu papel cerimonial.

O senador Ron Johnson (Republicano de Wisconsin) ofereceu-se para entregar a Pence uma lista de eleitores alternativos dos estados contestados, mas o gabinete do vice-presidente recusou a entrega. Outros senadores republicanos, como Mike Lee (Utah) e Ted Cruz (Texas), manifestaram apoio à contestação liderada por Trump.

A pressão intensificou-se até o discurso de Trump em 6 de janeiro, quando ele incentivou apoiadores a "lutar como o inferno". A multidão invadiu o Capitólio, interrompendo a sessão conjunta. Pence foi levado a um local seguro, e a certificação foi concluída horas depois.

Em 2022, o comitê seleto da Câmara concluiu que Trump conspirou para obstruir a certificação e recomendou seu indiciamento. O Departamento de Justiça nomeou um advogado especial para investigar o papel de Trump. O ex-presidente também foi submetido a um segundo impeachment por incitação à insurreição, mas o Senado o absolveu.

Os eventos geraram amplo debate sobre a resiliência democrática e levaram a reformas eleitorais em alguns estados. Especialistas apontam que a pressão sobre Pence representou um teste sem precedentes aos limites constitucionais e à separação de poderes nos Estados Unidos.