Venezuelanos vão deixar de trabalhar às sextas-feiras para poupar energia e água

O governo da Venezuela anunciou uma medida drástica para enfrentar a grave crise energética e hídrica que assola o país: a redução da jornada de trabalho no setor público. A partir da próxima semana, os funcionários públicos vão deixar de trabalhar às sextas-feiras, uma decisão que visa reduzir o consumo de eletricidade e água em todo o território nacional.

A crise no sistema elétrico venezuelano, agravada pela seca histórica que afeta os níveis das represas da hidrelétrica de Guri, principal fonte de energia do país, tem provocado apagões constantes nas últimas semanas. O racionamento de água também se tornou uma realidade em diversos estados, afetando diretamente a população e a economia local.

De acordo com o comunicado oficial divulgado pelo Ministério da Energia Elétrica, a redução da jornada para apenas quatro dias úteis por semana permitirá uma economia significativa no consumo de energia elétrica. A medida também busca garantir a continuidade do abastecimento de água para as regiões mais críticas, já que as bombas e sistemas de distribuição dependem fortemente da eletricidade.

A oposição e sindicatos criticaram a decisão, alertando para o impacto na já fragilizada economia do país. A redução da carga horária no setor público representa uma perda salarial indireta para milhões de trabalhadores, que já enfrentam os desafios da hiperinflação e da escassez de produtos básicos. Especialistas apontam que, embora necessária no curto prazo, a medida é um paliativo e não resolve o problema estrutural de falta de investimento e manutenção no setor elétrico venezuelano.

O regime de Nicolás Maduro afirmou que a medida é temporária e que novas fontes de energia estão sendo incorporadas à rede, incluindo painéis solares e pequenas centrais hidrelétricas. No entanto, analistas internacionais avaliam que a crise no país pode se prolongar, exigindo adaptações profundas na rotina da população e da administração pública.

A decisão ocorre em um momento em que a Venezuela enfrenta uma das piores crises humanitárias e econômicas de sua história recente. A falta de combustível, a inflação descontrolada e a escassez de alimentos e medicamentos agravam ainda mais o cenário para os trabalhadores do setor público. A medida, embora apresentada como temporária, levanta questionamentos sobre a capacidade do governo de garantir serviços essenciais à população.